sexta-feira, 1 de junho de 2018

Texto republicado 25 - MORTE

Título:  MORTE
Data da publicação original :  14/10/2008

Olá!

Cuidemos de nossa morada. Pois é por meio dela que estabelecemos contato com o mundo. O texto é breve e deve ser breve:

 As janelas fecharam eternamente.
 O Hall está inativo e seu tapete vermelho, enrolado.
 Os sensores do alarme externo já não funcionam há muitas horas.
 A cozinha, os quartos e os móveis, intocados, "recebem" a proliferação de pequenos organismos sem reclamar.
 Os quartos do fundo estão bloqueados com uma grossa camada de algodão e gaze, assim como todos os outros orifícios da casa.
 A pintura externa é branco gelo, pálida.
 A chuva fina não mais incomoda a casa velha.

 Ali perto, no Alto, o antigo morador aprecia o tratamento dado à sua morada antes do enterro.

Obrigado pela visita e comentários.


"EM QUE MUNDO VIVEMOS? MUNDO QUE AS PESSOAS SÃO INIMIGAS UMAS DAS OUTRAS ATÉ QUANDO PRECISAM ACABAR COM A SOLIDÃO? ATÉ QUANDO PRECISAM SE UNIR PARA CONSEGUIR ALIMENTO E MATAR A FOME MÚTUA? QUANDO A UNIÃO DOS CORPOS ACABARIA COM O FRIO QUE CORTA? QUANDO A PALAVRA AMIGA PORIA O ESPÍRITO EM SEU EIXO CORRETO? SIM, AQUI É A TERRA! MANDE-ME PARA O INFERNO,LÁ ESTAVA MELHOR! NÃO EXISTE INFERNO... FALTA MUITO PARA A LOUCURA DO CÉU? TENTA VIVER BEM, QUEM SABE NA PRÓXIMA REENCARNAÇÃO."

Texto republicado 24 - Ruptura!?

Título:  Ruptura!?
Data da publicação original :  20/10/2008 

Olá! Como estão?

Um texto diferente desta vez! 


1922 – Semana de Arte Moderna

2 anos

1924 – Manifesto Pau-Brasil

4 anos

1928 – Manifesto Antropófago

                            Ruptura?!?!?!?!


        Início do século XX, motores fervendo que movem à força as nações como locomotivas alimentadas pelo carvão da inovação e pelo calor da indústria. Rostos suados movem o capital, nada é estagnado, tudo é agressivo. Somente a arte parou no tempo com suas métricas clássicas e museus de um mundo já destruído mesmo que inconscientemente.
        Semana de Arte Moderna em 22 enaltece os 100 anos que fomos “libertos” . liberdade em que sentido? Liberdade no papel ou liberdade de idéias se presos estamos “Vós” com as mesmas imobilidades e gritos surdos de arcaísmos da cultura anterior. Estamos “Vós” assustados com tantas novidades? Estamos “Vós” cegos diante de tantas cores mas “Vós” questionamos o que “Vós” trouxemos para ser implantada a velocidade e “Vós” recusamos com unhas e dentes, com vaias e protestos, com a bíblia sob a mão esquerda.
O silêncio aparentemente paira sobre a noite que dura 2 anos: Pau-Brasil! O que somos “Vós” com o Pau-Brasil? O que seremos “Vós” no futuro reproduzindo as mesmas estruturas podres? O mesmo que hoje! 
        Parar no tempo da velocidade é um paradoxo existencial!
        Resgatemos “Vós” as raízes e com ela mudemos “Vós” a cultura nacional, o mais do mesmo se repete na monotonia das arte pela arte que não é arte coerente no contexto que a arte é algo além do que simplesmente arte: É razão de existir; ou simplesmente ser.
Em 4 anos, no processo de hibernação cultural, mas com um olho e ouvido bem abertos, Antropofagia! O homem só é homem quando ingere outro Homem de cultura e força semelhantes ou superiores.
        Comamos “Vós” e escolhamos o que nos serve a “Vós”. Abramos “Vós” os olhos e o coração, não somente a boca. Não se come por comer, não se cria por criar e digo a Nós, povo deste mundo novo: Sejamos “Vós” novos porque “Eu” já o sou! E os outros também já o são e “Eles” os engolirão! Só vou dormir e eles também quando puder dizer: Todos Nós Somos Do Mundo “Moderno”!

     Victor Hugo Vasconcellos
     19/04/2007


Obrigado pela visita e pelos comentários! 

"WERTHER MORREU PRINCIPALMENTE POR ACREDITAR NA LOUCURA COMO SALVAÇÃO DO QUE NO AMOR DE CHARLOTTE POR RESSURREIÇÃO"

Texto republicado 23 - Intolerância Humana

Título:  Intolerância Humana
Data da publicação original :  02/03/2009 

Olá! Tudo bem com vocês?

O texto que segue foi escrito no primeiro ano de graduação deste que vos escreve. espero que gostem!

 Intolerância histórica

               A intolerância é um sentimento que sempre acompanhou o ser humano e sempre  o acompanhará. É o ato de impor uma única verdade e combater as divergentes. Temos registros históricos de atos de intolerância, como a morte de Sócrates na Grécia antiga. 
              Sempre houve o conflito entre filosofia e a tradição. Esta defende os costumes: de família, sociais, religiosos e estatais;  não permitindo grandes mudanças em sua essência. Enquanto a primeira defende a razão como fonte do saber, um termômetro para as mudanças e reformas quando necessárias, e expondo o valor incalculável da sabedoria em conjunto gerando várias opiniões e discussões em prol do avanço.
              A intolerância dos costumes se prolongou por toda a Idade Antiga e grande parte da Idade Média. Maquiavel foi o iniciador do pensamento moderno. Junto com a Renascença e proteção dos Médici a busca pela filosofia foi intensificada.
No campo do direito, a primeira lei da tolerância foi assinada na Inglaterra em 1689. John Locke, grande pensador iluminista, é também dessa época em que se buscava a liberdade como verdade.
              Como contraponto temos recentemente atos de intolerância, como o nazismo alemão e o Stalinismo soviético, segundo a história.
Pois a tolerância como virtude, é um domínio moral que, para ser aplicada são necessárias: escolhas, critérios para essas escolhas e princípios. Somos livres para escolhermos se seremos tolerantes ou não, qual critério de escolha usaremos, para quais situações devemos ser tolerantes e os princípios dessas atitudes. Princípios de saber as diferenças ( natureza individual) e a liberdade que todos temos direito.

Intolerância Lingüística

               Há uma diversidade infinita de linguagens. Seja ela de país para país, de região para região, de estado para estado ou de cidade para cidade. Mas nem sempre há tolerância com essa diversidade podendo ocorrer uma intolerância com o sotaque, com a cultura expressada na fala, os costumes religiosos expressos com interjeições, resquícios de comunidades fechadas no vocabulário; enfim, há a intolerância racial, religioso, cultural, regional, sexual e social para com quem fala. 
               A língua é uma forma de poder, tornando-se assim manipuladora com o restante da população. O português brasileiro foi formado não somente pelos portugueses e por imigrantes europeus; sim, (como esquece a grande elite nacional) com grande porcentagem da língua negra africana e do extinto tupi-guarani. A elite dominadora da língua culta usa-a como forma de controlar o restante da população por meio da língua. 
Há diversas formas de se lidar com a linguagem “diferente”. Ou se exclui de vez a diferente vertente cultural; ou se assimila, aceita; porém não incorpora termos de seu uso diário; e por último, se agrega (o que foi feito com o português brasileiro, que possui termos de muitas outras línguas).
A tolerância deve existir não por fraqueza e sim por oposição à intolerância. Fraqueza sim! Pois é a indiferença sobre o que é divergente; indiferença ao expor o descontentamento; isso se torna uma intolerância falsa, não possuidora de valores morais e de princípios. Deve existir a tolerância consciente, entender e aceitar por meio do princípio de divergência cultural e social sem preconceitos de que espécie for.

São Paulo, 30 de Março de 2005.


Para ilustrar o texto acima, o poema de Augusto dos anjos é perfeito. E mais embaixo, a tradução do poema, feita por Nelson Ascher.


 VERSOS ÍNTIMOS

Vês?!  Ninguém assistiu ao formidável  
Enterro de tua última quimera.  
Somente a Ingratidão — esta pantera —  
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!  
O Homem, que, nesta terra miserável,  
Mora, entre feras, sente inevitável  
Necessidade de também ser fera. 

Toma um fósforo.  Acende teu cigarro!  
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,  
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,  
Apedreja essa mão vil que te afaga,  
Escarra nessa boca que te beija!

INTIMATE VERSES

No one attended, as you 've seen, your last 
Chimera's awe-inspiring funeral. 
Ingratitude — that panther — has been all 
Your company, but it has been steadfast!

Get used to mud: soon it will hold you fast! 
Man living among wild beasts on this foul 
And sordid earth cannot resist the call 
To turn himself as well into a beast.

Here, take a match. Now light your cigarette! 
A kiss is but the eve of being spat, 
A stroking hand, my friend, may stone you too.

If your great wound still saddens anyone, 
Cast at that vile hand stroking you a stone, 
Spit straight into the mouth that kisses you!

Obrigado pela visita e comentários.

"VOU COMPRAR UM CARRO. SÓ UM LOUCO FARIA ISSO. COMO? PARA QUE UM CARRO NUMA CIDADE QUE NADA ANDA, NADA FUNCIONA E AGORA VIROU PISCINÃO PÚBLICO?"

Texto republicado 22 -


Título:  Você seria professor de escola pública?
Data da publicação original :  01/06/2009 

Olá!

 No caderno Cotidiano da Folha de São Paulo, GILBERTO DIMENSTEIN escreveu um artigo com o título "Você seria professor de escola pública?" publicado no domingo, dia 31 de maio de 2009. O autor diz da precariedade do ensino público e ainda faz reflexões sobre possíveis saídas para uma escola pública de qualidade como o incentivo do Estado em preparar o professor por um semestre antes de entrar em sala de aula.

 Os salários baixos, para o jornalista, não podem justificar a má qualidade do ensino, pois argumenta que mesmo com o aumento dos salários (o que aconteceu na prefeitura) os alunos continuariam com péssimo desempenho. O fator motivador nesse caso não é o dinheiro. Se pensarmos no corpo docente que atua como professor nas redes públicas como OFAS (não concursados), veremos que se trata de profissionais "encostados", em sua maioria, que não possuem nenhuma perspectiva intelectual e/ou profissional. São professores que "caíram" nos sistema e de lá não sairão até que se aposentem. Aumento salarial que vier será lucro e não motivação milagrosa que tanto espera o Estado. Carente

 Outro ponto tocado no artigo é a falta de talentos na rede pública de ensino. Os melhores profissionais estarão mais interessados em ganhar altos salários ou reconhecimento? Outra discussão proposta por Dimenstein. O sofrimento do professor em relação a sua posição social é um caso a parte. O que antes era visto como detentor do conhecimento e modelo a ser admirado, hoje, tornou-se um "babaca qualquer que tenta fazer algo", descrito assim por seu público alvo, ou seja, os alunos. O respeito não mais existe e pode-se perceber que não há respeito tanto por professores, familiares ou pais. A educação das nossas crianças se perdeu. O mesmo tratamento que se dá ao amigo, é dado também aos pais e claro, ao professor. Agressões físicas e verbais, bem lembradas por Dimenstein, fazem parte do cotidiano daquele que "tenta" levar um pouco de conhecimento epistemológico aos frutos de nossa nação.

Artigos assim são importantes para a reflexão de toda a sociedade, pois são nossas crianças que frequentam as escolas para em um futuro próximo exerçam seus direitos e deveres de cidadão. Deve-se olhar conjuntamente para todos os problemas sociais como moradia, saúde, emprego e cultura, antes de focar somente na educação. Muitos dos pais desses alunos "marginalizados" são analfabetos e não incentivam aos estudos, e sim sua presença obrigatória em troca de "bolsas esmolas", "leve ração" ou qualquer outra forma de "falso benefício".

 Até onde iremos tentando maquiar assim os dados de nossa sociedade desigual e autoritária que em vez de lutar por uma escola de base de qualidade, prefere jogar analfabetos nas universidades por conta do governo? Mas isso já é outra discussão...  Com vergonha

  Obrigado pela visita e pelos comentários. Convencido

“MEU PAI NUNCA ME DISSE PARA ESTUDAR. MINHA MÃE SEMPRE FALOU EM UNIVERSIDADE. MEUS AMIGOS OFERECERAM-ME DROGAS. MEUS VIZINHOS ENSINARAM-ME A ROUBAR. COM MEUS MESTRES PUDE VER CADA LOUCURA ALHEIA DISCRETA EM NOSSA SOCIEDADE COM OLHOS DE ÁGUIA."

Texto republicado 21 - Filosofia Diacrônica e Diafásica

Título:  Filosofia Diacrônica e Diafásica
Data da publicação original :  16/06/2009 

Olá!

 Pensamentos sobre a sapiência humana.

 Saber

O poder da criatividade atrelada ao saber, proporciona a completude intelectual do homem. Intelecto do qual depende o HOMO SAPIENS para se relacionar socialmente com seus semelhantes durante toda sua história. 
Para Aristóteles, o homem é um animal social, vive em sociedade por necessidade. Por meio de sua organização social, a humanidade garantiu grandes progressos em todos os campos do conhecimento.

            Pré-história

Homem é homem por meio de sua palavra, é a força maior que o originou. o Homem não criou a linguagem para sua comunicação, o Homem é a própria linguagem. Homem sem linguagem não é Homem, é qualquer animal irracional. O poder de distinção do eu em relação ao mundo propiciou a criação do sujeito. Benveniste explica esta “emancipação“ humana. O homem que passa a ser homem por meio da linguagem e da “instituição“ (ou descoberta) do sujeito. 
Os homens primitivos, dotados de linguagem (rudimentar), encontraram na sociedade uma forma de proteção contra outros animais (maiores e/ou mais fortes), da fome, do frio e também de outras tribos de homens.

Assim, a união de famílias, ou clãs, deu início à organização desses membros. A divisão das atividades dos clãs era feita a partir do sexo e da idade de cada membro: mulheres colhiam alimentos enquanto os homens caçavam, por exemplo. Com o passar do tempo, o homem descobriu novas tecnologias, como o fogo que antes era encontrado na natureza após um raio, passou a ser “causado“ pelo homem. Outra importante evolução que fixou a morada humana: revolução agrícola. As tribos,após esgotarem a reserva de alimentos de uma região, migravam para uma outra, e assim sucessivamente. Com o domínio da agricultura (rudimentar) e do pastoreio, essa migração tornou-se dispensável por motivo de comida.

Os descendentes foram aprendendo com os mais velhos e passando para as futuras gerações. A espécie humana vem construindo sua história sobre o planeta, aperfeiçoando técnicas, evoluindo sempre. Com as trocas de informações, o aprendizado e as descobertas mútuas tiveram como consequência o aumento populacional e novos conhecimentos sendo desenvolvidos e aprimorados para a melhoria das condições vida da raça humana. 

O desenvolvimento de nossas técnicas de sobrevivência, como a medicina para curar doenças, a invenção da agricultura para o estoque de alimentos, a confecção têxtil na “fabricação“ de roupas e, claro, a descoberta do fogo tiraram o homem de sua escuridão. Eis o nascimento da imaginação humana, o descobrir de seu pensar e claro, do SABER.

                      A.C.

O homem antigo, referente ao período anterior a Cristo, possuía seu conhecimento na totalização. Os pensadores da Hélade e  também do Império Romano tinham sua cultura de uma forma muito abrangente. Possuíam total domínio da ciência; eram capazes de dissertar sobre qualquer assunto, pois eram os mestres (sábios) daquela época.

O estudo da natureza é algo por inteiro e não segmentado. Cada elemento que encontramos na natureza poderia ser estudado por meio de infinitas visões. Uma árvore seria estudada de forma biológica, explicando seus estágios como nascimento, crescimento, reprodução e sua morte; mas também de forma matemática, desenhando seus ângulos e curvas, a resistência de seus galhos por meio de cálculos pormenorizadamente efetuados. E claro, também pela visão poética, pois todos os seres da natureza são fontes de inspiração. 

Portanto, o homem que possuía o domínio de todas as artes do conhecimento, era um ser completo, um ser que sobre qualquer adversidade saberia encontrar uma solução, ora matemática, ora filosófica, já que sua essência era a completude, digna de um sábio.

Modernidade Intelectual?

Com o avanço da tecnologia e novas descobertas, houve o crecimento dos conhecimentos adquiridos e também com a transformação da sociedade, o conhecimento antes totalizado na sapiência humana começa a ser segmentado. 

“O remédio à desintegração do saber consiste em trazer à dinâmica da especialização, uma dinâmica compensadora de não-especialização. Não se trata de entravar a pesquisa científica por interferência que correria um risco de falsear seus desenvolvimento. Mas precisamos agir sobre o sábio, enquanto homem, para torná-lo consciente de sua humanidade. Precisamos obter que o homem da especialidade queira ser, ao mesmo tempo, um homem da totalidade.“

O abismo que a humanidade cada vez mais se lança é a capacidade de se saber cada vez mais sobre cada vez menos. Segmentando-se tudo o que temos de ciência e conhecimento, criam-se cientistas e assassinam os sábios. Pois tendo uma visão parcial do que ocorre, ou uma visão limitada, equívocos ocorrerão no vasto campo do âmago humano. Um curto exemplo:

"Normalmente, os experts medem a distância entre os países desenvolvido e os que não são, calculandoa diferença entre o produto interno bruto (PIB) de uns e de outros; formuladas com renda per capita. Tudo indica, assim, que os povos atrasados sofram apenas de problema material, e que bastaria, para curá-los, fornecer-lhes as riquezas que lhes faltam. O "desenvolvimento" se reduziria a uma recuperação econômica. Bastaria dotar cada africano, cada polinésio, cada índio americano ou da Ásia de um aparelho de barba elétrico, de um aparelho de televisão, de uma máquina de levar, de um automóvel e de um estoque de conservas alimenticias para fazer dele um verdadeiro cidadão do século XX."

A visão de um economista é muito limitada da sociedade e um argumento como esse é aceito numa sociedade das divisões: antes braçal, com as teorias de Ford e de Taylor e agora, também intelecutal. Precisa-se de força de trabalho e do lucro e não de pessoas competentes intelectualmente para nos governar de forma menos arbitrária e menos parcial.  O conhecimento, por ser essência, não deve ser utilizado para o desaprendizado (visão limitada) e sim para a ampliação de nosso campo de visão, pois o ser humano é fruto de sentidos e emoções, e que talvez seja destruído pela divisão de sua essência. Homens que só trabalham, homens que só estudam, homens que só servem para reproduzir, homens que somente amam, homens que só guerreiam neste mundo caótico que o mesmo estamos inseridos.

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"CHEGA DE LUXO CHEIO DE LIXO!  QUERO TEU LIXO QUE PARA MIM É LUXO! DEIXE-ME LER OS IRMÃOS CAMPOS EM PAZ! MALARMÉ? QUE DOUDOS! APENAS DISSERAM TODA A MISÉRIA  DESSES LOUCOS FORA DO SANATÓRIO"

Texto republicado 20 - Drogas Intelectuais

Título:  Drogas Intelectuais
Data da publicação original :  08/11/2009 

Olá!

O que dizer dos bêbados de criticidade e de seus vômitos de inconformidades?

O que falar sobre o viciado em críticas sociais e suas overdoses de ações perlocucionárias?

O que acrescentar aos loucos por conhecimento e delírios de amarga lucidez?

Em que elogiar os professores de lutas ideológicas e trabalhos forçados na democracia ilusória?

Por que julgar aqueles que são ditos marginais se questionam o sistema feudal que vivemos?

A certeza e o correto já não existem entre as sinapses e choques elétricos internos.

Quero minha ilusão a tua ilusão de ver. Quero uma ilusão que não existam lágrimas nem solidão. Quero uma ilusão de poder ser o que queremos ser. Quero uma ilusão, porque a realidade está muito aquém.

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"DROGUE-SE COM LIVROS, CHEIRE INTERNET E INJETE TELEVISÃO. O CINEMA PODE SER ASPIRADO ENQUANTO A MÚSICA BEBIDA. VOMITE POESIA PARA ACALMAR ESTE MUNDO INSANO"

Texto republicado 19 - Chuva Oblíqua

Título:  Chuva Oblíqua
Data da publicação original :  26/11/2009 

Olá!

Hoje, deixo um poema do mestre Pessoa, por ele mesmo. 
Texto para se pensar a vida na sociedade moderna.

Chuva Oblíqua (Fernando Pessoa)

II

Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...
A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...
E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...

Lemos o poema de Fernando Pessoa e podemos perceber as várias metáforas em seus versos. Podemos começar pelo título: Chuva Oblíqua.

Não é qualquer chuva, e sim, uma chuva oblíqua, chuva que não cai reto, não cai simplesmente. É uma chuva que causa efeito. O título já aparece como grande metáfora. Já que Oblíqua possui um leque de sentidos, não somente o literal de torcido, diagonal.

“Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia”

– A igreja, no verso, está dentro da chuva. Como é possível? Na linguagem metafórica é o que está dito. São dois elementos inseparáveis, um contendo o outro. Para entender essa proposição e outras que aparecem durante todo o poema, vamos partir do macro para o micro. Vamos tentar desvendar a grande metáfora do texto e depois, como cada metáfora menor a constroem.


Durante todo o poema temos a chuva, a rua, o barulho fora da igreja “junto” com as cenas internas da igreja. Os versos são construídos não por oposição, mas por complementação. Um é parte do outro. Um elemento é o outro. “A missa é um automóvel que passa”.

Como grande metáfora, podemos dizer que tudo acontece ao mesmo tempo e não há possibilidade de termos uma experiência de cada vez. Sentimos, ouvimos e vemos tudo ao mesmo tempo. Estamos no mundo e dele participamos. O poeta quer fazer com que sintamos todas essas sensações conscientemente.

A missa é a missa, os carros fora da igreja são os carros e a chuva é a chuva. Mas tudo acontece ao mesmo tempo, as paredes da igreja não evita que sintamos a chuva, pois se a ouvimos, ela está presente. O poeta quebra as barreiras pela metáfora. Vamos agora às pequenas metáforas.

    “Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia”

 – Quando as luzes da igreja se acendem, há chuva. Chove enquanto os fiéis se preparam para rezar. A chuva está dentro da igreja, pois é ouvida. Portanto, a igreja está dentro da chuva.

“E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça”

– mais velas acesas, mais chuva.

“Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso”

– Agora aparece um verbo de ligação, típico da metáfora. Dizer que a chuva é o templo estar aceso é uma metáfora explícita. Enquanto chove eles estão dentro da igreja e por isso está acesa.

“E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro”

– Aqui, as barreiras são quebradas. A chuva penetra na igreja e por fora vê-se a igreja. Quem está dentro sente a chuva pelo som. Não há isolamento. O poeta argumenta com força ao propor que não existem barreiras. De novo a metáfora explícita.

“O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...”

- Mais sensações são misturadas nesses versos. Misturam-se imagens, sensações e sons. Os elementos não são puros. Estão misturados. Ouve-se a missa e o vento que sacode a vidraça. Ouve-se o chiar da água e o coro. Vê-se a chuva e o altar.

 “A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste..”

- O automóvel, por seu barulho, penetra na igreja e atravessa os fiéis que se confessam. O automóvel está fora e dentro da igreja.

 “Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...”

 - A voz do padre, o som do automóvel e o barulho da água se confundem. Estão todos juntos.

 “E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...”

 - A chuva cessa e as luzes se apagam. Um não depende do outro. Os dois acontecem simultaneamente.

Não há barreiras entre o interno e externo. As sensações são múltiplas e permitem uma leitura da sociedade contemporânea com tudo misturado. O progresso tecnológico cuja violência invade nossa vida, nossa privacidade e nossa paz transforma-nos em seres que ao sentirem tantas emoções simultaneamente não "sentem nada" ou não sabem o que sentem.

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"ENXERGAR O COMUM É MUITO INCOMUM PARA OS SERES COMUNS."

Texto republicado 18 - Instrução e educação para o "proletariado intelectual"

Título:  Instrução e educação para o "proletariado intelectual"
Data da publicação original :  05/06/2010 

Olá!

Somos o país o do futuro! "O Brasil é o país do futuro!"

Tomo emprestado aqui essas palavras proferidas pela Legião Urbana no início dos anos 90. Depois explicarei melhor qual a relação entre a letra de "Duas Tribos" com o artigo de Reinaldo Polito.

Vamos por partes.

No dia 20/04/10, Reinaldo escreveu um artigo com o título "Somos um país de proletários intelectuais". Ao ler o artigo, fiquei surpreso, assim como autor, com a afirmação:

"Há pouco tempo foram abertas inscrições para um concurso público que deveria selecionar 1.400 garis no Rio de Janeiro.  Pasme. Segundo a Companhia Municipal de Limpeza Urbana, 45 candidatos tinham doutorado, 22 mestrado, 1.026 nível superior completo e 3.180 superior incompleto."

Muitos profissionais com diploma embaixo do braço sem ter como exercer a profissão. Acabam partindo para outras áreas e prestando concursos abaixo de seus títulos conquistados. 

Reinaldo cita a enorme quantidade de engenheiros, médicos e advogados existentes nas grandes cidades. Muitos desempregados ou trabalhando em outras áreas.   

Há uma citação do professor Noé Azevedo, como paraninfo da turma de bacharelandos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, perguntando se há advogados em demasia. Isso em 1938!

Vou mais adiante. 

Não vou perguntar, porque sei que a resposta é óbvia. Na maioria das áreas do conhecimento a oferta de vagas é limitada ou não atrai os profissionais para planos de carreira. 

Citarei a licenciatura. O formado em licenciatura pode assumir aulas em escolas particulares, ONGs ou escolas públicas. As escolas particulares e as ONGs exigem um corpo docente especializado e com experiência. O ensino público, não. Qual a diferença de trabalho entre os dois?

São muitas diferenças. Na rede estadual de ensino, há o choque de mundos e realidades distintas. O mundo do novo professor, que idealiza a educação como fator humanizador e atrativa à comunidade contra a realidade dos professores antigos "engolidos" pelo sistema.

Em muitas escolas públicas, percebe-se a falta de motivação dos professores e dos alunos. A remuneração não é atrativa. Em alguns casos, a falta de segurança assusta o docente. Estudar por cinco anos para ser ameaçado por marginais disfarçados de estudantes? É uma triste realidade brasileira.

Em cada área do conhecimento, há entraves a serem vencidos. O grande questionamento é sobre o grande número de diplomas universitários guardados dentro da gaveta, já que o diploma do ensino médio é mais do que o suficiente para muitos empregos.

Há mais gente formada do que o necessário? Ou há mais cursos universitários do que a nossa real demanda? Estamos todos iludidos com as oportunidades que não nunca chegam? Se o Brasil apresenta um crescimento real, onde estão as oportunidades para os jovens universitários? O diploma chegou às camadas B e C da população. Onde está a consciência social dessa elite que exige, no mínimo, inglês fluente e experiência comprovada para um estágio universitário? Estamos no Brasil. Isso é importante de se lembrar.

Antes de exigirmos, devemos oferecer educação e instrução aos nossos estudantes para que não sejam intelectuais nos trabalhos braçais. Exijamos profissionais qualificados! Não estou dizendo o contrário. Mas sejamos conscientes do público que temos. Continuemos a importar mão-de-obra, além das marcas e nomes...  

Será o Brasil o país do futuro?


"1965 (Duas Tribos)
(Legião Urbana - Quatro Estações - 1990)


Vou passar
Quero ver
Volta aqui
Vem você
Como foi
Nem sentiu
Se era falso
Ou fevereiro
Temos paz
Temos tempo
Chegou a hora
E agora é aqui.
Cortaram meus braços
Cortaram minhas mãos
Cortaram minhas pernas
Num dia de verão
Num dia de verão
Num dia de verão
Podia ser meu pai
Podia ser meu irmão
Não se esqueça
Temos sorte
E agora é aqui
Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?
Estou do la...do do bem
E você de que lado está?
Estou do la...do do bem.
Com a luz e com os anjos
Mataram um menino
Tinha arma de verdade
Tinha arma nenhuma
Tinha arma de brinquedo
Eu tenho autorama
Eu tenho Hanna-Barbera
Eu tenho pêra, uva e maçã
Eu tenho Guanabara
E modelos revell
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país
Em toda e qualquer situação
Eu quero tudo pra cima
Pra cima"

O país do futuro é o país que nunca chega. Quem vive de passado é museu e quem vive de futuro é promessa.

Quem está no futuro sempre, nunca estará no presente. Somos o país da promessa e do futuro. O futuro que tarde em chegar. O futuro que talvez nem veja. 

O artigo completo de Reinaldo Polito pode ser lido no LINK:

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"AMANHECEU. QUE LINDA BOLA LARANJA. É POLUIÇÃO! POR QUE GOSTAS DE ESTRAGAR COM A DUREZA DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO A LOUCURA E INOCÊNCIA DA IGNORÂNCIA?"

Texto republicado 17 - SARAMAGO

Título:  SARAMAGO
Data da publicação original :  28/06/2010 

Olá!

Um post pequeno em oposição a grande saudade que o único representante de língua portuguesa vencedor do nobel de literatura nos deixa. 

Adeus Saramago! Muito obrigado por tua obra! Saudades deixa em nosso corações de fãs de uma boa literatura. E como está em falta!

O teu livro Ensaio sobre a cegueira venceu mais do que o nobel de literatura, mostrou-nos quem somos e quem podemos ser. Mostrou-nos o que teus personagens não viram e o que todos nós pudemos ver por trás do egoísmo e ganância humana. Mais do que um livro sobre moral. Mais do que um livro sobre relações sociais. Um livro sobre nós mesmos. Um livro sobre o nosso mundo!

O texto Ensaio sobre a Lucidez ilustra-nos mais do que pudemos ler. O que acarretaria uma onde de lucidez coletiva e social. Os tempos estão longe disso acontecer. Ainda vamos ver os partidos políticos como uma grande oligarquia elitista de irmãos para revezar o poder. assim como Portugal, Brasil está nesse estágio ainda. Vamos com calma, Saramago!

O evangelho segundo Jesus Cristo, expulsou-o de sua terra. Coitada de terra medíocre e cega pela fé católica. Século XX não quer dizer nada. O pequeno país não precisa de ti, caro Saramago? Hum... Ele que não precisa de Portugal. Foi para a Espanha.

O Brasil também anda cego e manco por causa da Igreja e da Ciência que não se acertam. Muitos se cegam, não a cegueira branca, mas a cegueira da fé cristã e de promessas de vidas futuras que talvez nunca cheguem. Não defendo o ateísmo ferrenho nem um cristianismo tenaz. Sou contra fanatismos! Mas não jugo que o é. Prefiro um ateu que ajude o próximo do que um fanático egoísta. Não acho que nenhum dos dois não entrarão no reino dos céus. Aquele está mais próximo.

Adeus Saramago escritor, jornalista, ateu, gênio e crítico. Adeus para o representante que levou a língua portuguesa a receber o prêmio mais nobre da literatura. Adeus sr. José Saramago, que poucos o conhecem neste país sem cultura. Nervoso

Adeus!

Adeus!

Adeus para o corpo, pois a obra é eterna. 

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"A MORTE É SÓ O QUE NOS CONSOLA. A MORTE É UM DESEJO, UM SUBTERFÚGIO PARA ENTENDERMOS MELHOR O QUE É A LOUCURA RACIONALIZADA DO UNIVERSO."

Texto republicado 16 - Prêmio de R$ 8.000,00

Título:  Prêmio de R$ 8.000,00
Data da publicação original :  06/08/2010 

Olá!

O que vale mais? Um entretenimento ou a cura de uma doença?

Muitos - aposto - respondeu cura da doença, senão todos. Mas por que agimos ao contrário do que pensamos ser certo?

Pergunto isso porque saiu na Folha, ontem, dia 05 de agosto de 2010, no caderno Cotidiano, o primeiro vencedor do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, criado para anualmente reconhecer uma personalidade de destaque no combate ao câncer no Brasil.

O vencedor, Marcos Moraes, foi diretor do Inca (instituto do Câncer) entre os anos de 1990 e 1998. Faço uma citação da notícia: "Entre os avanços de sua gestão estão a estruturação de uma coordenadoria de controle do tabagismo e a criação da Fundação Ary Frauzino, que apoia financeiramente o Inca."

O cirurgião Marcos Moraes ficou à frente do Inca por oito anos, dedicando-se aos instituto. Recebeu, ontem, uma placa e R$ 8.000,00. 

Quanto vale uma vida? Será que é R$ 8.000,00? Um médico que se dedicou para melhorar as condições dos doentes de câncer recebe R$ 8.000,00. 

O prêmio para o vencedor do último Big Brother foi de um milhão de reais. R$ 1.000.000,00. 

O que o vencedor do Big Brother fez ou faz por você?

Lembra-se da pergunta do início? O que vale mais? Por que pagamos mais à nudez alheia do que ao nosso bem estar? Por que pagamos um salário miserável a um professor, além das humilhações que os submetemos? E os médicos que se revezam em vários plantões para poder ter uma lar?

Sem nudez e superficialidades, podemos viver. Sem educação e saúde, não.

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"NÃO É LOUCURA! NEM CEGUEIRA, NEM SURDEZ. É BURRICE MESMO O MAL DE NOSSO PAÍS!"

Texto republicado 15 - Desabafo

Título:  desabafo
Data da publicação original :  25/08/2010 

Olá!

A arte de escrever parece que não encanta mais. Preguiça!

A arte do bem falar parece que não é mais admirado. Displicência.

A leitura de bons livros fora deixada de lado. Descaso.

Os bons costumes não são mais aprendidos. Má-criação.

Ainda bem que os sonhos ainda existem 
Ainda bem que há pessoas para realizá-los. 
Ainda bem que a arte não morreu por completo. 
Ainda bem que estamos a salvo. 
Ainda bem que mantemos o que nos foi caro por toda a vida. 
Tudo isso que agora todos jogam fora.

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"AINDA HÁ MUITA ESPERANÇA NA LOUCURA. ELA É NOSSO OLHOS SENSATOS NO MEIO DE TANTA INSANIDADE."

Texto republicado 14 - Poetas Portugueses - Sophia Andressen

Título:  Poetas Portugueses - Sophia Andressen
Data da publicação original :  26/08/2010 

Olá! Tudo bem?

Falarei um pouco sobre Sophia Andressen, notável poetisa portuguesa. Bem humorado

A poetisa Sophia Andressen possui uma forma única de escrever, pois traz expressão no seu poema. Sua preocupação é sentir a emoção que a poesia lhe faz sentir. Sophia mostra como a poesia está presente em sua vida e o imenso gozo que sente, é como se criador e obra fossem um único ser.  

Sua poesia é carregada de expressão-comunicativa em que enfatiza a emoção. Transborda sensibilidade nas descrições das paisagens e sua importância para sua vida, o detalhe no mais ínfimo objeto também mostra a tamanha sensibilidade dessa alma rara.

Vejamos um poema.

Ausência

Num deserto sem água 
Numa noite sem lua 
Num país sem nome 
Ou numa terra nua 

Por maior que seja o desespero 
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua. 

(Sophia Andressen)


    Um poema que busca o sentimento intenso. Um poema que mostra toda sensibilidade desta poeta expressiva.

    Na primeira estrofe do poema, a poeta enumera lugares, que estão incompletos. Falta, portanto, objetos que são essenciais à sua existência e designação.
   
O deserto é um lugar árido, mas que possui algumas raras fontes de água chamadas “oásis”, este deserto não tem. Deserto não é um local agradável, há uma imensa miséria de água, elemento cuja falta é mais acentuada no poema.

A noite é escura e silenciosa, única fonte de “luz” é a da lua, que não existe no poema. - A noite torna-se portanto um manto negro silencioso. Falta luz, falta movimento ou sonoridade.

    Um país é delimitado por suas fronteiras e seu nome. Um país sem nome é um monte de terra de ninguém. Falta uma identidade neste caso, algo maior que uma terra e identidade.

    Terra nua é terra vazia, que não possui nada em sua superfície, nem pessoas, nem animais, nem plantas. Solidão também é acentuada neste verso.

    Todos estes versos ilustram situações de falta, solidão e silêncio. 
    Na última estrofe é feita a comparação de tudo dito anteriormente e a revelação do que realmente a poeta sente falta.

    Um poema muito expressivo e belíssimo em sua composição. Os cenários são construídos a fim de uma comparação que causa o efeito sublime. A emoção é tocada e transfigurada a um sentimento vazio que é preenchido quando é dito que apenas uma ausência realmente é sentida pela poetisa.


Obrigado pela visita e pelos comentários.

"CUIDADO ONDE PISAS E COM COM FALAS. OS OLHOS DO CEGO PODEM ABRIR A QUALQUER MOMENTO. NÃO É LOUCURA PENSAR QUE TUDO TEM UMA SEGUNDA CHANCE."

Texto republicado 13 - Publicidade - Anúncio de sorvete com freira grávida é proibido

Título:  Publicidade - Anúncio de sorvete com freira grávida é proibido
Data da publicação original :  15/09/2010

Olá!

Quem acompanha programas e notícias de/sobre humor ficou sabendo da passeata do dia 22/08 dos comediantes contra a lei que proibia piadas com políticos.

Para muitos, um absurdo; para outros, a lei deveria continuar, pois garante a integridade moral do canditado ou personagem público. Já falamos aqui sobre pessoas públicas e já discutimos suas responsabilidades, já que estão expostas. Com um político, não é diferente.

Mas, quero chamar a atenção hoje para um anúncio publicitário oriundo do Reino Unido. Acho que as críticas foram demais severas sobre o anúncio publicitário. Ainda lidamos com Dogmas, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Dogmas esses, intocáveis. Dogmas esses que não devem ser alvos de discussão ou de citações arbitrárias da sociedade. Autodefesa? Medo de quê?

Vou postar aqui o anúncio.


É um anúncio de sorvete. Todos podem ver que é uma freira grávida e a frase, em inglês, "Concebido Imaculadamente". Claro, fazendo relação a Jesus, seu nascimento.

Muito criativo e ousado o anúncio. Todos sabemos, ou deveríamos saber, que o Reino Unido é um Estado Protestante, também cristão.

A censura do Estado acusou o anúncio de ofensor aos costumes cristãos, principalmente católicos.

Quando vi o anúncio, eu ri. Não sou Ateu, por isso, ri. E não duvido de que Deus teria rido também se estivesse aqui ao nosso lado encarnado. Não foi uma ofensa, foi um brincadeira ousada do publicitário.

A censura e polêmica ainda continuam, como falei, não só no Brasil, mas no mundo. Todos vivemos em uma falsa ditadura em que somos vigiados por tudo que fazemos e dizemos. Só não conseguem acabar com os sequestros, assassinatos, tráfico de drogas e pedofilia, esta muitas vezes oriunda de templos religiosos.

Fonte:
Notícia UOL

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"O HOMEM CRIA AS LEIS. O HOMEM MATA AS LEIS. O HOMEM CRIA DEUS. O HOMEM MATA DEUS. O HOMEM CRIA A CIÊNCIA. O HOMEM MATA A CIÊNCIA. AFINAL, O QUE O HOMEM QUER ALÉM DE EGOÍSMO E VAIDADE?

Texto republicado 12 - Para que serve o tal do "conhecimento"?

Título:  Para que serve o tal do "conhecimento"?
Data da publicação original :  24/02/2012 

Olá! Como vão, meus caros?

    2012 iniciou-se e temos aqui um primeiro texto que foi escrito de forma inspirada. A razão é educativa e sua utilização teve como grande intuito levar um pouco de reflexão aos jovens alunos que estão sob minha orientação. 

                                   Para que serve o tal do "conhecimento"?

    Cada um de nós daria uma resposta diferente para essa pergunta, pois só faria sentido respondê-la se contextualizá-la em nossas vidas. E todos nós temos vidas diferentes, não é mesmo? Moramos em casas diferentes; temos pais, amigos e gostos diferentes. Apesar de tanta diferença, não é necessário apresentar certa unidade para se fazer coerente a resposta?

    Está confuso? Se ficou confuso, é um ótimo sinal. Só se fica confuso quando se pensa sobre algo que aparentemente não apresenta lógica. Pois é, pensar é a grande chave para se descobrir o tal do "conhecimento". Para ajudá-lo(a) a descobrir, podemos pensar juntos sobre "Por que devo aprender?", "por que devo ensinar?", "por que devo mudar o mundo?" e "como posso mudar o mundo?".  

    Primeira questão: "por que devo aprender?". Claro que não é elegante responder uma pergunta com outra pergunta, mas vamos abrir uma exceção aqui, já que a razão é educativa. Como seria sua vida hoje se não tivesse aprendido a respirar sozinho quando nasceu? Como seria sua vida se não tivesse aprendido a comer? Com seria sua vida se não tivesse aprendido a andar, a pegar os objetos, a falar? Já imaginamos sua resposta: isso tudo é próprio da espécie humana, é natural do corpo humano aprender ou desenvolver aquilo que é instintivo (ou inerente se quiser usar um termo mais acadêmico). Você poderia dizer que isso não é aprender. Agora o choque. Andar, comer, falar é tão inerente quanto pensar.  Espantado(a)? Experimente ficar deitado por meses, sem se mexer. Chegará um momento que suas pernas não funcionarão mais, irão atrofiar. Mesmo sendo próprio do homem caminhar, perderá essa capacidade se não a utilizar. É questão de sobrevivência. Assim como pensar (ou aprender, se preferir). 

       Segunda questão: "por que devo ensinar?". Qual a diferença entre o mestre e o aprendiz? O verdadeiro mestre tem consciência que mais aprende do que ensina quando está ministrando algo a alguém. O aprendiz não tem consciência de que aprender é ensinar e ensinar é aprender. Quantos aprendizes que se dizem mestres existem a sua volta? Basta  observar...

    Terceira questão: "Por que devo mudar o mundo?". Uma resposta rápida: porque você vive nele. Claro que não é tão simples assim. Você deve mudar o mundo para que ele se torne um ambiente melhor para as outras pessoas e não para você. Quando melhoramos o mundo para as outras pessoas, estamos agindo sem o nosso egoísmo, possibilitando assim contemplarmos as pessoas à nossa volta. Quando melhoramos o mundo à nossa volta, melhoramos também a nossa vida. Uma reflexão rápida para se fazer prático esse pensamento. O assalto é algo prejudicial à sociedade, pois é uma forma de violência. Na maioria das vezes, essa violência é gerada porque um cidadão que não possui meios de sobrevivência  tira, à força, de outro cidadão que possui meios em abundãncia uma maneira de sobreviver, seja dinheiro ou outros bens. A desigualdade social gera violência. Se o mundo à nossa volta possibilitar a todos os cidadãos possuírem meios de sobrevivência, não fará sentido haver assaltos.      

    Quarta questão: "como posso mudar o mundo?". Muitos pensam que mudar o mundo é para os governantes e pessoas de influência. Engano imenso! O mundo é responsabilidade de todos os seres que vivem nele, ou seja, todos nós. Todas as nossas ações diárias terão impacto imediato ou a longo prazo no planeta. Para toda ação haverá uma reação. É impossível fugir dessa lei universal. Sabendo disso, somos muito importantes para deixar que apenas uma porcentagem mínima da humanidade tome todas as decisões.

     A pergunta inicial já foi respondida? Para que serve o tal do "conhecimento"? O conhecimento é fruto da vida. Todos nós temos a capacidade de desenvolvermos o conhecimento. A forma de usá-lo é o que diferenciam as pessoas. O conhecimento tem por finalidade trazer a paz, o respeito, a compreensão, o progresso, a consciência e a felicidade. Se olharmos a nossa volta, é só isso que vemos? Todos nós agimos dessa forma com os nossos semelhantes? Infelizmente, não.

    O mau uso do conhecimento é fruto do egoísmo e ignorância. E um egoísmo que nos prejudica a todo instante, pois somos vítimas daquilo que não conhecemos, a longo ou a curto prazo.

    Para podermos nos tornar pessoas melhores e conscientes da vida, devemos aprender, ensinar e pensar para agir no mundo. Devemos assumir nossas responsabilidades e não delegar aos outros o que nós mesmos devemos fazer. Precisamos enxergar as oportunidades que nos são dadas como desafios diários para nosso crescimento pessoal e intelectual. Converse com seus pais e professores para vocês mudarem o mundo juntos a partir de agora com conhecimento, responsabilidade e confiança.

 Obrigado pela visita e pelos comentários.

"NÃO HÁ COMO SE PENSAR A EDUCAÇÃO SEM MOVIMENTO E DEBATES CALOROSOS. PASSIVIDADE APENAS NAS SITUAÇÕES DE TORPOR. A MAIOR LOUCURA É VIVERMOS ETERNAMENTE NESSE TORPOR."

Texto republicado 11 - Sobre a verdade

Título:  Sobre a verdade
Data da publicação original :  17/07/2012 

Olá!

Temos a verdade? Talvez a tenhamos. Tudo depende. O que tens como verdade? O que é para ti a verdade? Se acreditas nos registros dos livros. Procura-os. Talvez eles sejam mentirosos. Se realmente neles acredita, busca-os, lê-os. Devora-os como verdade. Acredita neles e sê feliz.

Os homens escreveram os livros. Homens imperfeitos como ti. Será que os livros contêm veracidade histórica? Pega-se a bíblia. Quantas traduções e adaptações? Mudanças e exclusões? E por que não acréscimos? O homem é um ser confiável cujas palavras não são passivas de credibilidade, mas seus registros históricos o são? Devora os livros e terás a verdade.

Se acreditas em tradição oral, busca-a. Será que teus parentes mais idosos têm algo a acrescentar em tuas concepções presentes? Parentes que, em muitas vezes, tiveram suas mentes manipuladas para aceitar os governos ditatoriais populistas. A história que ele possuem foram fabricadas? Qual é o senso crítico daqueles que são tuas fontes históricas? Come! Dou credibilidade.

O que tens com a verdade? A verdade científica ou a verdade mitológica? O doxa? A fé? A episteme? O que buscas para confortar-te? O que buscas?

A verdade é sempre a verdade. A verdade não está posta, nasce. O sol se põe ou morre. O sol renasce ou sobe. A verdade é a invenção que rejeita argumentos.

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"A VERDADE É TUDO AQUILO QUE ALGUNS PSEUDOSÁBIOS A CONFIRMAM. QUE LOUCURA CONFIAR NO HOMEM."

Texto republicado 10 -

Título:  O homem, o poder e a sociedade
Data da publicação original :  16/03/2013 

O homem, o poder e a sociedade

Olá, como vão?

Um texto para refletirmos sobre a ordem das coisas que muda (ou mudam) lentamente.

O homem, o poder e a sociedade

Partir-se-á da dicotomia religião e economia para discutir-se o homem em sociedade e a soberania do poder.

Partindo das duas posições: a primeira, religiosidade a qual entende que há uma força maior superior e poderosa que atua na vida do homem. A outra dá-se no aspecto econômico, vez que a influencia na estipulação de quem será governado e governante a partir de seus bens e colocação dentro da sociedade. O poder é o cerne da ordem social, no entanto o homem é dotado de  um impulso que o leva a agir com solidariedade e justiça.

A partir dos mais diversos acontecimentos, o homem acredita em um poder superior desde a origem dos tempos. A Igreja Católica beneficiou-se dessa intuição dos homens para manipular seus destinos. A filosofia e as ciências foram abafadas por uma Igreja que controlava tudo com punhos de aço e banhos de fogo. Apesar disso, o homem buscou estudar e refletir sobre a realidade em que vivia. Percebeu que não é imprescindível um templo para alimentar sua fé num Ser Criador. A Igreja mostra-se flexível a cada ano que passa devido ao grande número de fiéis que perde por implicâncias anacrônicas. Um exemplo desse anacronismo é a queda do Index apenas no século XX.

A economia é a razão pela qual o homem se desloca no tempo e espaço. Seu bem-estar depende da grande roda econômica. Se essa roda para de funcionar, todo o sistema envolvido acaba por fragilizar-se. 

Esse fenômeno é bilateral, isto é, para que exista uma relação predominante de poder, haverá sempre uma submissão. Os homens querem estar submissos a um sistema que não falha ou que a chance de falhar é mínima. Na questão da religião, a dúvida é a maior aliada da submissão a um templo ou a um representante de Deus. Os dízimos são pagos sem questionamentos, pois a dúvida do além-túmulo é muito maior do que o desejo de um bem-estar terreno, mesmo com as promessas de prosperidade em vida. Ato, muitas vezes executado por puro egoísmo e sem a benevolência que a Igreja tenta pregar.

Na questão do estado, há uma segurança em relação às leis. O sentimento de submissão não é o de dúvida, mas impotência para com as “regras” econômicas mundiais dentro de um contexto de mundo globalizado. Há o pseudo-sábio e os pseudo-entendidos que acompanham o trabalho, mas não opiniam; apenas concordam.
Quando se há (ou houve - tratando-se de percurso histórico) um caso de injustiça, o homem recorre tanto à força econômica - influenciada pela Igreja através dos tempos e pela Rerum Novarum na melhoria de condições dos trabalhadores (até o início do século XX)  – ou recorre à religião, a própria Igreja que há anos é representante da fé e da figura dos messias bem como protetora dos milagres e segredos bíblicos.

 Em síntese  pode-se compreender  que:

a) O poder é imprescindível;

b)  Não há um poder pessoal e sim a observância do poder voltado a lei e seus governantes;

c)Através da razão e da fé estruturam-se técnicas de poder as quais são efetivamente garantidas com a exteriorização da coação a fim de que seja mantida a ordem visando o bem comum.

Compreendendo o poder como manobra necessária ao bem comum e estabelecimento da ordem, pensamos que é a instituição mais poderosa que é procurada para a resolução de um problema social. Mesmo que a busquemos indiretamente, a instituição carimba sua relevância como detentora do poder. Em pleno século XXI, o homem ainda está um dúvida e com medo, pois ainda busca auxílio na instituição mais antiga ainda presente na sociedade atual.

Se não fosse verdade, não esperaríamos ansiosos - ou curiosidade - pela fumaça branca...

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"FÉ CEGA É O QUE OS HOMENS QUEREM. SERÁ QUE A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS?"