Por um breve momento entre trocas, sinto-me em absoluto tédio, até que de longe, ouço o caminhar de certa pessoa. Essa vai se aproximando cada vez mais.
Distante
do quadro e sem enxergá-lo, pergunto-me quem virá em seguida, após certo tempo,
a porta se abre, a visão se clareia e uma voz estonteante anuncia:
- Bom dia a todos, vamos começar a aula!
Esta,
diferentemente das outras, é iniciada de maneira inusitada, livros e cadernos
guardados, alguns nomes na lousa. Ele começa a discursar. Aos poucos, começo a
perceber que não se trata de uma aula como as que tive anteriormente, o
conteúdo é completamente diferente de quaisquer outras matérias já previstas.
Não se ligava a nada do que vira. Talvez, por todo esse mistério em desbravar
novas terras ou pelo discurso verdadeiramente apaixonado pelo que diz, uma
sensação inusitada surge.
Essa incomum sensação, que já havia sido
experimentada uma vez, volta em minha alma com o propósito de indagar tudo que
me é dito naqueles breves minutos.
Eu
jamais poderia deixar essa sensação morrer, pela segunda vez me sentia em
tamanha alegria a ponto de caçar perguntas, mesmo que não houvesse, apenas para
alongar o meu tempo. O esforço era irrelevante. Aos poucos, o professor vai
encerrando sua fala. Ele se retira.
Mas o que
faria agora? Com aquela sensação presa em meu tempo que não cessava, o que
faria? Logo, a resposta se tornou clara, apenas retome esse momento consigo
mesmo! Portanto, não me desanimei, comecei a pensar no que foi dito. Tentar
associar tudo e transferir aquele saber para o meu próprio ser.
Quantas
conclusões! Quantas dúvidas! Quantas questões sendo levantadas!
Guardei
tudo que pensara para retomar as mesmas pautas em uma próxima oportunidade.
Novamente em tédio, mas dessa vez tenho plena
consciência de quem virá a seguir. O som de seus passos vai se aproximando. A
porta se abre, uma sensação retorna e uma voz estonteante anuncia:
- Bom dia a todos, vamos começar a aula!
Mas
dessa vez, algo não parece certo. Ele começa a escrever na lousa, mas não havia
nada relacionado à aula passada. Algo novo?
Os meus
olhos passavam pelas palavras e eu me frustrava cada vez mais, fez parecer que
nada do que havia preparado teria utilidade nesses longos minutos. A matéria
tinha de ser dada, o ano deveria continuar.
Mas a
filosofia, essa poderia ser deixada para depois.
Assim
como um certo alguém um dia definira, esta era uma paixão que em poucas
oportunidades poderia ser admirada, mas nunca consumada. Pois essa breve
introdução nunca se transformaria em matéria, assim como tem sido por longos
anos sem pensar.