segunda-feira, 24 de outubro de 2022

O Brasil perdeu, e foi no primeiro turno

 Olá! Como estão?

Uma reflexão sobre as eleições de 2022.


Há muita discussão sobre o segundo turno para presidente do Brasil, agora dia 30 de outubro.

Os discursos versam sobre a volta da democracia e o fim dos sigilos, de um lado; e o medo do fechamento das igrejas e acusações sobre a perda da liberdade, por outro lado.

Claro que ter mais 4 anos de Bolsonaro seria um cenário intragável, principalmente para os mais pobres; entretanto, há exageros e fake news dos dois lados.

Há a acusação acerca da perda da democracia no Brasil, o que não é necessariamente verdade. Quando o Brasil foi um país democrático de fato? Não é porque há eleições diretas que somos o lugar mais democrático do mundo. Tenho de dizer que o aparelhamento estatal está abusivo, muito mais do que em outros governos, nada transparente e demais autoritário agora. 

Dito isso, o que é verdade, devo dizer que democrático é um país em que o povo possa ter escolhas, ter direitos e condições materiais de exercer sua cidadania. Nesse quesito, mesmo nos anos petistas, em que tínhamos "apenas" 7,5 milhões de pessoas passando fome, isso não ocorreu.

Dizer "apenas 7,5 milhões de pessoas na fome" é uma ironia para o governo que tinha um programa chamado "Fome Zero" e que não acabou com o "negócio" do Agro, cuja função é enriquecer fazendeiros.

Entretanto, não há comparação com os mais de 33 milhões que passam fome no governo do atual presidente, que insiste em dizer que governa para os mais pobres. 

A promessa do fim do sigilo instaurado neste governo é um argumento que aguça a curiosidade do povo, mas que sugere medo da prisão para os que não se elegerem nesta eleição, ficando na mira da Polícia Federal, já que estariam sem o foro privilegiado. Embora saibamos de muito tempo que gente com dinheiro raramente fica preso no nosso país.

A ameaça de que templos religiosos seriam fechados (entenda igrejas evangélicas) soa como um contra-ataque irracional das massas. Mesmo que nosso Estado não seja laico (deveria ser), as religiões que não sofrem ataques são as cristãs, pois o Estado é cristão (nas palavras do presidente). 

Ninguém se revolta com os templos de matriz africana e umbandistas (religião brasileira) sendo atacados constantemente. Agora, com a falácia da cristofobia, o exército delirante do ex-capitão foi à loucura. 

É claro que não serão fechadas as igrejas cristãs nem de qualquer outra religião. Lula está de acordo com a Constituição e faz jus ao conceito de Estado laico. 

Esse fanatismo cego inflamado por discursos de ódio levou cristãos católicos a atacarem padres em seu pleno exercício de representante de Deus. Não são raros, na internet, registros desses ataques físicos e verbais aos sacerdotes que estavam fazendo seu papel: pregando contra fome, armas, violência e preconceito.

Essas pessoas invadiram missas e questionaram os padres, sugerindo que eles estivessem pedindo voto para Lula, insinunado que eles seriam favoráveis ao aborto, entre outras ofensas. Ações indigestas em se tratando de uma cerimônia religiosa conduzida por alguém que se preparou anos para aquele evento. 

Para quem já fazia isso com os professores, enfrentar padres em suas cerimônias até que não me surpreende. Os professores sofrem perseguição de uma parcela da população que os classifica como comunistas doutrinadores. Coerência passou longe...

Enfim, esse preâmbulo serviu só para dizer que Lula vencer é infinitamente melhor do que Bolsonaro permanecer no poder. Essa onda de ódio irá diminuir, já que o chefe do executivo não irá mais inflamar o povo com ataques delirantes e sem fundamento.

Apesar de tudo isso, devo dizer que o Brasil já perdeu essa eleição. E foi no primeiro turno.

Afirmo isso, pois o congresso é o responsável  pela aprovação de todas as manobras políticas e legislativas. O chefe do executivo tem alguns poderes limitados para vetar leis e também para propor medidas provisórias (que podem ser derrubadas pelo legislativo). 

Em 2022, os deputados federais alinhados com a "direita" somam 342 parlamentares contra 127 dos partidos mais à "esquerda". A base de conservadores, cristãos, liberais e extremistas totalizam mais de 3/5 do congresso (o suficiente para aprovar ou reprovar qualquer projeto).

Como governar, no caso de Lula, com o congresso "todo" contra você? A posição do presidente petista será figurativa em relação a novos projetos e pautas "originais" (de esquerda). As alianças feitas para o segundo turno cobrarão lá na frente políticas mais liberais e de direita. Não existe almoço grátis. 

O Brasil já perdeu no primeiro turno a chance de se redimir da bobagem que fez em 2018, dando palanque para bancadas extremistas e alucinadas por espantalhos e fake news.

Pior, destaco alguns senadores eleitos neste ano de 2022: Marcos Pontes (PL). Pontes foi ministro da Ciência e Tecnologia, de Bolsonaro; permitindo cortes de verbas, demitindo pessoas importantes e nunca defendendo a ciência como deveria. Ficou isento para não se estranhar com Bolsonaro. Parabéns a São Paulo por elegê-lo.  

 Paraná conseguiu ir ainda mais longe ao eleger Sergio Moro, o juiz que combinou com o promotor os passos na condenação de Lula. Aquele que fez e desfez acordos desde a sua demissão do ministério da Justiça, na tentativa desesperada de ser eleito para algum cargo. Não é raro ouvir de pessoas que conversaram com ele, sobre a sua limitada inteligência.

O Rio Grande do Sul elegeu Mourão, o vice-presidente do Brasil que, assim, como Bolsonaro, viveu numa alucinação coletiva contra espantalhos. Defendendo o indefensável e não ajudando seu povo que morre de fome, de Covid, de violência...

Brasília elegeu Damares para senadora. Essa senhora mentiu sobre sua formação, quis proibir uma criança estuprada de fazer o aborto e faz alarde mentiroso sobre o fechamento de igrejas. Não consigo acreditar que ela foi eleita...

Bem, é um governo que faz de tudo para ser derrubado e um povo que continua segurando-o firme para não cair. Enfim, o Brasil tem o governo e o povo que merece: insano e preconceituoso.

Melhor Lula do que Bolsonaro, mas a extrema-direita ficará por muito tempo pululando nas terras tupiniquins com ajuda dos que mais sofrem com isso. 

O Brasil foi derrotado. Quem sabe com a vitória de Lula, daqui quatro anos, a composição da câmara mude? Só assim para voltar a ter esperança...

Obrigado pela visita e pelos comentário.

"AS MENTIRAS VÃO SE TORNANDO VERDADES ENQUANTO A LOUCURA DA REFLEXÃO NÃO ASCENDE AOS CÉUS"

domingo, 2 de outubro de 2022

UNHA REFLEXIÓN POLO GALEGO

 Ola! Como estás?
Hoxe trago un texto sobre un acontecemento en Galicia.
O perfil de Twitter A Mesa Normalización Lingüística (@amesanl) publicou un vídeo, o 31 de maio de 2022, co seguinte comentario:

"VERGOÑA
O presidente da Xunta, responsable da promoción da nosa lingua en todos os ámbitos, e especialmente na infancia, fala unha meniña en castelán."

Eu vira este vídeo, se a memoria non me falha, na página de facebook da Xunta de Galicia. Non obstante, já non puiden atopar o vídeo alí.
Pronto! O que trago á reflexión é a situación da lingua galega vista por un brasileiro e apaixonado pola cultura de Galiza e que pronto estará nas terras do antigo reino suevo.

A Galiza (e as demais rexións que tenhen linguas regionais) foi prohibida pola ditadura franquista o uso da súa lingua. Así, o galego estivo prohibido ata 1973.  
Esta prohibición, iniciada en 1936, freou o movemento de rexurdimento da lingua galega. Co efecto, a opresión do castelán, legitimada polo goberno franquista, reprimiu aínda máis o galego.

Hai estudos que amosan un descenso dos galegofalantes, já que a información dos que disponhen os galegos está en inglés ou castelán. Peor aínda que o maior uso nestas linguas é a invasión do castelán á lingua galega.
O ensino intergeracional diminuíu, já que o castelán, que era lingua de opresión, é hoxe unha lingua de prestigio.

Por suposto, considerar o castelán como lingua de prestigio é froito dunha manipulación ideológica. É lingua oficial non só no Estado español, senón en varios países e noutros continentes. É a segunda lingua do planeta tendo en conta o número de países e regións nas que se fala.
Todo isto aínda non justifica o desprestigio do galego. Unha lingua non debe medirse pola súa utilidade, já que unha lingua é a máxima manifestación cultural dun pobo. Ao perder a lingua tamén se perde a cultura desta gente.

A RAG (Real Academia Galega), junto cos intelectuais, instituíu a normalización da lingua, despois de que o galego fose elevado a lingua cooficial na comarca de Galicia, en 1983.
Aínda que esta norma non agrada a todos, funciona como norma que ajuda no proceso de oficialización da lingua galega.

Hai o movemento reitegracionista para cambiar a grafía que establece a RAG. Dende esta perspectiva, galego e portugués son a mesma lingua, que se expresan de diferentes jeitos, como o portugués do Brasil ou o de Mozambique, por exemplo. Sería un jeito de potenciar a lingua galega, já que se comunicaría con máis de 250 millóns de persoas, ademais de recuperar expresións típicas galegas, que se trocaban por formas castelanizadas.
Desta volta, o galego vive unha situación de inestabilidade en relación ás súas políticas lingüísticas, non só polas discusións sobre o reitegracionismo, o ilhacionismo ou o binormativismo; pero tamén polas políticas educativas que reduciron o ensino en galego ao 30%, polo uso dos medios de comunicación en castelán e pola manipulación ideológica do desprestigio da lingua galega.

Accións como a do presidente Alfonso Rueda ilustran esta preferencia polo castelán en terras galegas, reforçando a visión ideológica de que o galego sería unha lingua minorizada.
Aínda que o galego aínda non chegou a un acordo para a súa expresión reintegrada, segue a ser a identidade do pobo galego e non pode desaparecer nin ser invadido polo castelán para diluirse na lingua opresora.

Todo acto contra o galego hai que loitar contra! O galego é unha força cultural e unha nación! O galego é rico e loitamos polo galego!
Graças pola visita e polos comentarios.

"A LOUCURA É A ÚNICA FORMA QUE PODEMOS SAAR DESTE MAR DE OPRESIÓN".