A sociedade brasileira caminha para a alta especialização por meio da grande demanda de cursos superiores, tecnólogos e técnicos oferecidos há mais de uma década e acesso possibilitado por subsídio federal; porém, com obtenção de diplomas, muitas vezes, ilustrativos, já que seus possuidores são intelectuais fantasmas.
Os fantasmas estão habitando o delírio de um mercado idealizado, tornando-se invisíveis às grandes corporações, aos disputados concursos, aos melhores salários e às posições de destaque social.
Apesar desse preâmbulo poético-niilista, essa reflexão não é de todo mal, pois se faz necessário que a reflexão brasileira seja despertada para o estado em que se encontra a educação, principlamente a educação básica, onde há o desenvolvimento do cidadão.
O INAF (2018) apresenta a porcentagem da população formada de leitores proficientes. Seu estudo é feito por amostragem, caso queira saber mais, basta acessar o link do Instituto Paulo Montenegro. Pelo índice de 2018, temos 12% da população brasileira de alfabetizados plenos (número melhor do que o INAF de 2016).
Outros dados do INAF
64% da população poderia ser considerada analfabeto funcional (incluindo analfabetos, rudimentares e os elementares - que possuem nível de leitura muito baixo). - INAF - 2018.
34% das pessoas que possuem diploma superior são leitores proficientes (INAF - 2016)
12% das pessoas com Ensino Médio são leitores proficientes. (INAF - 2016)
Profissionais da educação - apenas 16% desses profissionais são leitores proficientes. (INAF - 2016)
Com esses índices, algumas constatações ficam mais claras. Há um grande número de brasileiros que, mesmo com formação específica, não atuam em sua área de especialização. Outros amargam desemprego por longos períodos.
O grau de proficiência em leitura justifica casos assim. Não ter proficiência acarreta outros sintomas inerentes ao pouco domínio de sua área ou à transmissão de seus conhecimentos (básicos). As funções de ensino superior exigem atividades intelectuais como leitura ampla, escrever em gêneros textuais diversos, comunicação fluente oral e escrita, rapidez nas tomadas de decisão, liderança e, não raro, chefia.
Os (bons) professores têm a dimensão da realidade social, entendem que continuar a reproduzir conteúdos em sala de aula sem questionar seu corpo discente só estarão contribuindo com a permanência desses índices como a não formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres civis e políticos.
Mas questionamentos geram polêmicas. Principalmente em épocas do engessamento da educação por questões imediatistas e competitivas de uma sociedade alienada - de sua elite à sua classe mais simples e humilde. A polêmica ajuda a polarizar o conhecimento a ser ampliado e discutido. Os (bons) professores desafiam a ordem e questionam o dogma. Chega da doxa, mais episteme.
Reproduzir não nos leva à criação (e à salvação).
Portanto, dizer "não" quando se deve dizer "não" é o ato mais digno que um (bom) professor deve ter. Não é expor seu aluno, pelo contrário; atos assim demonstram a preocupação do docente com seu aprendiz. Kant já dizia que educação é conseguida com sofrimento, pois é um esforço para adquirir algo exterior a nós mesmos. Logo, ações de adaptação são necessárias para que o aluno alcance seu desenvolvimento (Aristóteles, Vygotsky).
(Bons) professores são exigentes com seu próprio aprendizado. Estão sempre lendo e compartilhando. E a mesma cobrança que faz a si mesmo é a lançada ao seu aluno. Isso faz com que não aceite qualquer resposta e seja considerado muito rígido para tempos atuais.
Precisamos de bons professores. O que sabe estudar, sabe ensinar e sabe cobrar. Só assim, poderemos sonhar um Brasil com índices diferentes dos que foram apresentados anteriormente.
Referências
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"LOUCURA É TER AÇÕES QUE NÃO ESTIMULAM A CRIATIVIDADE E ESPERAR POR VERDADEIRAS OBRAS DE ARTE!"