sábado, 8 de março de 2025

Feliz dia das mulheres - 2025

 Dia internacional das mulheres - 2025

Se há um ser que possui sensibilidade de modo natural e muito amoroso;

Se há um ser que desenvolve a clarividência para fins medicinais e psicológicos;

Se há um ser que exerce a telepatia para auxílio e amor ao próximo;

Se há um ser tem clareza dos objetivos terrenos;

Se há um ser que foi destinado para amar de forma incondicional;

Se há um ser que esquece de si pelos outros;

Se há um ser que é belo por natureza;

Se há um ser que é elegante e educado;

Se há um ser que transmite toda a alegria e nos muda apenas com seu sorriso;

Se há um ser que nos conquista com palavras cotidianas;

Se há um ser que nos comove com suas lágrimas, ESTE SER É A MULHER.

Sua natureza é o que nos move;

Sua vitalidade é o que nos torna seus admiradores;

Sua sensibilidade nos deixa espantados;

Sua beleza nos conquista.

Há várias mulheres em nossas vidas: avós, mães, irmãs, amigas, esposas, companheiras, filhas... Cada uma delas deixando sua marca em nós.

MULHERES e MARCAS inesquecíveis.

Uma homenagem de um admirador neste dia tão especial.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

Victor Hugo da Silva Vasconcellos


terça-feira, 4 de março de 2025

Norma Curta e Norma Culta do Português

     Olá! Como estão? Espero que bem. 

    A crônica argumentativa de hoje é sobre um texto publicado na Folha de São Paulo pelo jornalista Sérgio Rodrigues no dia 05 de abril de 2023. E a sua publicação versa sobre a imposição da norma linguística da língua portuguesa, no Brasil. O título de seu texto é "Abaixo a norma curta do português!". Adianto que o texto tem boas intenções, mas comete alguns deslizes de quem não conhece intimamente a ciência linguística. Compreensível.

    No subtítulo, já apresenta a ideia de que "a indústria de concursos e consultórios gramatiqueiros fazem mal à língua". Será mesmo? O problema são os concursos que exigem o padrão da língua e/ou os professores de gramática que ensinam esse padrão aos alunos e aos concurseiros? Afirmar isso como verdadeiro é tratar o sintoma em vez da causa. Talvez seja melhor discutir se a norma está de acordo com o que se fala no território brasileiro. 

    "Norma Curta" é o nome que o linguista brasileiro Carlos Alberto Faraco dá à norma padrão do português. Esse nome é elogiado por Rodrigues, afirmando que essa norma no Brasil surge de um "apego acrítico à variedade lusitana". Aqui há um erro histórico, ainda que aceitável diante da evolução dos termos científicos como lusofonia (ligado à língua portuguesa) e lusitano (como sinônimo de povo português). Historicamente, o português não é uma língua lusitana, mas galega. O Reino Medieval da Galiza dividiu-se em dois no século XII. A parte de cima seguiu sendo Galiza e o parte sul mudou o nome para Portugal. O mesmo ocorreu com a língua, que era a mesma. O galego falado no sul foi batizado séculos depois como "português". Pouco a pouco, estudos galegos, portugueses e também brasileiros estão vindo à tona para explicar melhor o passado da língua portuguesa falada no Brasil.

    Sobre a distinção entre norma curta e norma culta também apresenta problemas, ainda que a ideia central seja válida. O que existe é uma norma padrão, isto é, uma norma oficial que é uma artificialidade, e que ninguém fala 100% de acordo com essa norma, até porque é defasada e de demorada atualização. Ela foi feita e é atualizada, muitas vezes, de acordo com os modelos literários. Essa gramática precisa de atualização constante. Entretanto, não dá para sair mudando tudo a qualquer hora, pois existe um tempo de uso para essas mudanças serem incorporadas ao modelo de língua e também deve haver um consenso entre os gramáticos brasileiros. Mesmo que um escritor ou outro use uma construção, esse uso precisa ter ocorrências significativas para sugestão de alteração na norma. 

    Outro ponto interessante de se destacar é que o Brasil tem uma gramática própria. Já apresenta algumas diferenças na norma em relação ao modelo português. Logo, o que é cobrado em concursos no Brasil parte da gramática brasileira da língua portuguesa. Como exemplo, nos verbos bitransitivos, no caso dativo, em que a preposição no Brasil tem mais diversidade, sendo elas: "para", "de" e "a". Em Portugal, nos verbos de transferência, as preposições são mais reduzidas:"a" como dativo e "para" no complemento do acusativo.

    Explicado o padrão, é relevante dizer que a norma não se opõe às variantes faladas por seu povo. Desse modo, não se opõem norma padrão e variante culta (modo de falar das pessoas com maior formação acadêmica). Sim, o falar culto é uma das tantas variantes faladas em qualquer país, ainda que seja a variante que mais se aproxima da norma. E segundo o autor, a variante culta é que deveria ser ensinada com mais eficiência. Também é uma fala problemática. Ensinando essa variante como referência não é torná-la uma norma? Deixo essa pergunta retórica como reflexão.

    Para resolver esta questão (e não é falada explicitamente no texto), podemos refletir sobre a atualização da norma e ajustá-la para o modo como, de fato, os brasileiros estão falando. Uma língua primeiro é falada, depois é escrita. Uma norma não deve vir antes da língua. E devo acrescentar que a norma é importante, sim. É ela que assegura a unidade da língua e a sua existência. Do contrário, é mais difícil de manter essa unidade nos documentos oficiais e no ensino. Quiçá no Brasil seja menos visível essa dificuldade considerando que somos em 90% do território um país monolíngue (não entrarei aqui na discussão do extermínio das línguas nacionais - as indígenas). Num país que há mais de uma língua falada, a norma irá assegurar sua existência legal e até de estimular o seu uso. O problema do Brasil não é ter uma norma, mas de atualizá-la. Há estudos (como os de Marcos Bagno) que já não defendem a unidade linguística entre Brasil e Portugal. O que isso quer dizer? Significa que a língua muda, evolui e se torna diferente a cada passagem de tempo.   

    Agora um ponto com o qual concordo no texto de Rodrigues: a transformação do ensino de língua em práticas de decoreba mata todas as potencialidades. Aula de língua deveria ampliar as possibilidades cognitivas, não promover simples decorebas e diminuir usos tipicamente regionais. A crítica ao sistema de ensino de língua materna procede. Muitos professores corrigem, das redações dos alunos, praticamente, toda a parte gramatical e se esquecem do mais importante: a organização das ideias. O autor também cita as estruturas engessadas de se fazer uma redação nota 1000 para o ENEM e para os vestibulares. Muitas vezes, uma receita decorada e com citações "coringas" de autores que nunca foram lidos pelos alunos. Isso não é ensino de língua. O problema não é o que é ensinado, mas como é feito. 

    Há uma fala problemática sobre não ser um bom leitor por dominar a "norma curta". Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não existe relação nesse silogismo. Uma pessoa que domina a norma de uma língua pode também ser uma pessoa crítica (como os linguistas citados por Rodrigues: Bagno e Faraco). Claro que podemos fazer um esforço mental e lógico para inferir que um grupo de alunos que estudou com professores "norma-curtistas" não teve todo o desenvolvimento cognitivo e crítico nas aulas de língua. Com uma formação reduzida a decorebas e a pouca interpretação do mundo pela língua, espera-se, realmente, pessoas que tenham uma visão mais reduzida de mundo e com poucos recursos interpretativos. Contudo, é só uma suposição. Do mesmo modo, como afirmar que alguém que só sabendo a variante culta, uma pessoa será uma boa leitora. São tão perigosas essas relações entre ser um "norma-curtista" e "aprender a variante culta" sem passar pela norma que só consigo afirmar que o autor "nem consegue estar errado" no que discute. Espero ter deixado claro o que eu vejo de tão incoerente.  

    Um exemplo interessante e cirúrgico é o do cartum. Nele, um rapaz diz a uma moça "Te amo!". E a moça responde com "Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono". É um ótimo material e deveria só ter ficado nele, explorando os efeitos de sentido da mensagem, da correção e de qual personagem representaria a "norma curta". A preferência pela próclise no Brasil contradiz o que a norma prescreve. Poderia até dizer que a variante culta existe no dia-a-dia, a norma só na artificialidade; ainda que esse desvio apareça praticamente em todas as variantes brasileiras. 

    Além de tudo isso, há uma questão que ainda me preocupa. Eu entendi a crítica mesmo que não concorde com todos os argumentos dados. Mas será que todos os leitores entenderam? Nem todo mundo tem esse conhecimento específico para relacionar os exemplos dados e corrigir os deslizes do autor. Lembra-me muito quando Luis Fernando Veríssimo, famoso cronista brasileiro, disse que não sabia gramática. Claro que foi uma fala dúbia e até certo ponto irônica. Mas qualquer pessoa poderia entender isso literalmente. Preocupar-se com seu público-alvo é também uma habilidade que o ensino de língua deveria proporcionar.

    A intenção do autor foi boa, mas considero que apresenta muitos deslizes e "achismos" num assunto tão sério. Ficasse na crítica do ensino, do preconceito linguístico e do cartum. Foi se aventurar em discussões sobre as quais tem pouco ou nenhum domínio. Um texto deveras preocupante.


Referência da Folha.

RODRIGUES, Sérgio. Abaixo a norma curta do português! Folha de São Paulo. 5 abr. 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/04/abaixo-a-norma-curta-do-portugues.shtml Acesso em: 4 mar. 2025. 

    Obrigado pela visita e pelos comentários.

    "O SOL BRILHA NUMA CONSTANTE INTENSIDADE. MUITOS OLHOS FECHAM-SE DIANTE DA LOUCURA EM FORMA DE LUZ."

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

ASSÉDIO MORAL NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS

         No buscador da internet, escrevendo "assédio moral pós-graduação Brasil", mais de 400.000 resultados surgem na tela do dispositivo. Resultados distribuídos em portais, blogs, revistas científicas, teses de doutorado, vídeos e notícias de jornal. O número elevado assusta menos do que o conteúdo desses resultados, pois há uma grande discussão acerca desse crime cuja prevenção e punição estão longe de serem satisfatórias.

É um assunto que deveria ser mais discutido abertamente nas universidades brasileiras, já que a maior parte dos casos de assédio não são denunciados. Este artigo está dividido em quatro partes: a) o que pode ser caracterizado assédio moral; b) poder e dominância durante o assédio; c) efeitos do assédio nos discentes; e d) denúncia e medo.

 

Assédio Moral, Comportamentos e Constrangimentos

 

Há vários estudos sobre o que pode ser caracterizado como assédio moral. Algumas dessas pesquisam consideram assédio um número reduzido de ações, outros ampliam esse número. Há publicações que questionam a duração dos ataques para considerá-los crime. De qualquer modo, cada caso deve ser analisado com muito cuidado e responsabilidade. Pensar que tudo o que foge de uma relação sadia entre orientador e orientando pode ser encaixado como assédio.

Essa relação orientador-orientando, que se trata de um contato direto em cursos de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) ou até mesmo na graduação (iniciação científica e TCC), estabelece uma proximidade e ao mesmo tempo dependência institucional do orientando para com o seu orientador. 

Dessa maneira, situações que levem constrangimento ao orientando como ameaças de reprovação e/ou perda da bolsa; levantar a voz; comentários depreciativos e/ou preconceituosos; tratamento discriminatório e excludente; rebaixamento da capacidade cognitiva; recusa em orientar; críticas diretas ao orientando e não ao trabalho; dar opiniões incisivas sobre a vida particular de quem está sendo orientado; e tudo que fragilize o psicológico do discente para o desenvolvimento do seu trabalho são ações que caracterizam assédio moral.

Em muitas vezes, atitudes como as descritas anteriormente não são vistas como assédio, mas como traço de personalidade do orientador, normalizando a atitude contraventora e não acontecendo a denúncia. Uma pesquisa desenvolvida por Bianca Spode Beltrame com 44 instituições federais de ensino superior no Brasil constatou que 70% delas não possuíam qualquer medida de combate ao assédio, em 2020 (Nascimento, 2023). Unindo o despreparo das universidades e o senso comum de que os orientadores "são desse jeito mesmo" elevam os casos de abuso de autoridade enquanto os dados estatísticos ficam defasados.

 

Poder Simbólico e Poder Real

 

No caso brasileiro, apenas uma ínfima parcela da população chega ao doutorado. Ainda em 2023, o Brasil apresenta o índice de aproximadamente 0,2% de doutores, que geralmente são pertencentes das camadas sociais mais abastadas. Mesmo com as políticas públicas na área educacional dos últimos 20 anos, a pós-graduação é, em sua maioria, ocupada por estudantes com maiores recursos financeiros.

Os professores universitários que atuam há mais de 20 anos nas universidades pertencem em número significativo a essa casta, o que representa também acesso aos poderes simbólicos que se instituem: o financeiro e o intelectual.

Com as bolsas aumentando e o país se desenvolvendo, além da construção de mais universidades a partir de 2003, o público da pós-graduação sofreu uma leve alteração, iniciando uma tímida diversificação nos discentes. Essa diversidade é ainda irrelevante, mas necessária para que mais pessoas que não tinham acesso à pós-graduação possam estudar e ampliar as pesquisas científicas brasileiras.

O poder simbólico (conceito de Pierre Bourdieu) instaura-se em torno dos orientadores, que são protegidos pela posição social que ocupam, o que incita muitas vezes, por meio da impunidade, atos de preconceito e exclusão daqueles que não pertencem à sua bolha social (seja cultural, racial, sexual e/ou financeira). Claro que não são todos os orientadores que agem dessa maneira criminosa, entretanto, o dado que apenas 6% dos casos de assédio foram punidos com a expulsão do docente é incômodo e gera muita insegurança aos discentes (Nascimento, 2023).

Desse modo, o poder real do orientador(a) é de tratar seus estudantes como ele(a) acha que eles devem ser tratados, de acordo com sua própria régua, poder que pode gerar um comportamento invasivo. Esses orientadores não são contidos devido à posição de privilégio que gozam na sociedade brasileira.

Os abusos devem ser denunciados para que esse poder seja desmantelado. Instituições de ensino não devem ser coniventes com essas atitudes, pois, não tendo medidas de proteção nem de punição, estão, de certa forma, permitindo a situação atual. Embora a porcentagem de punições seja baixa, o número de denúncias tem se multiplicado nos últimos anos (2020-2023), o que desperta uma esperança de mudança nesse cenário.

 

Efeitos nos alunos

 

Os efeitos danosos nos pesquisadores de mestrado e doutorado são diversos. Cada indivíduo pode reagir de uma forma peculiar diante do assédio moral, gerando reações muito violentas ou mais sutis. Em um artigo científico Nunes (2020) apresenta uma enquete com pós-graduandos e apresenta dados interessantes. A seguir, há um relato de um discente (Nunes, 2020, p. 226): 

 

“Quando as pessoas sabem meu posicionamento político, elas tendem a me agredir. No caso eu defendo um pensamento comunista dentro de um grupo de esquerda [....] Existe uma polarização, que eu vejo que gerou uma certa exclusão [...]. Neste caso eu me via sendo perseguido por essa professora, que não era orientadora, mas fazia parte do grupo de pesquisa. [...] Também teve um professor que me provocou nas aulas e no curso inteiro, de ficar mencionando obras que eu leio num tom pejorativo, criando a ideia de que o cara que lê isso aí é um idiota. [...]”.


 Todo ato que desmereça o discente e que possa gerar nele incômodo pode ser considerado assédio moral. No caso relatado, a postura política do discente estava sendo questionada de maneira a ridicularizá-lo por pensar daquela forma. O ponto não é o questionamento, porque o meio cientifico é o lugar da contestação das ideias, não dos indivíduos. O que houve foi o rebaixamento intelectual do discente, levando-o a se sentir “um idiota”.

Por ser um ambiente de vaidade, uma forma de assédio moral é desmerecer as conquistas individuais ou acadêmicas dos discentes como: publicações sem o orientador, no Brasil e no exterior; palestras e cursos ministrados fora do programa de pesquisa; viagens pelo Brasil ou ao exterior sem o auxílio do orientador ou do programa, por exemplo.

 Em outro artigo, são expostos dados dos efeitos nocivos nos discentes. Sobre as consequências do assédio moral nos estudos, os maiores índices foram: desilusão com o meio acadêmico - 18,2%; aumento da carga de trabalho (fazer mais do que devia) - 13,6%; vontade de desistir da pós-graduação - 13,6%; e queda na produtividade - 9,1% (Nunes; Torga, 2020, p. 16).

Já as consequências do assédio moral na saúde psíquica: raiva - 9,1%; ansiedade - 6,8%; baixa autoestima - 6,8%; choro - 6,8%; depressão - 6,8% (Nunes, Torga, 2020, p. 12). É possível perceber que esses efeitos graves irão interferir na vida do discente além do ambiente acadêmico.

 

Denúncia e Medo

 

Apesar desse aumento substancial de denúncias, sabe-se que é a menor parte das vítimas que denunciam seus orientadores. E os receios são reais. Desde o descrédito na denúncia, falta de provas concretas, medo de perder a bolsa e/ou não conseguir defender a dissertação / tese.

Bruna Rocha, discente do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Rural e representante da Associação de Pós-Graduandos da UFRGS, combater o assédio é difícil por envolver a conivência de outros docentes com as práticas de seus colegas. “A pós-graduação é um ambiente tóxico. Ocorre muito assédio moral. A gente tem uma casta dentro da academia, cada programa é um feudo, em que acontece coisas de assédio moral e sexual em que o elo mais fraco são os alunos. E quando os alunos falam alguma coisa, isso acaba ficando dentro do programa”, explica (Nascimento, 2023).

Como o meio acadêmico brasileiro é muito restrito e “todos se conhecem”, o discente que fizer a denúncia teme ser ignorado por outros docentes e/ou universidades quando estiver em busca de novas oportunidades profissionais e acadêmicas. Não raro, muitos pesquisadores que teriam um bom rendimento desistem da pesquisa ou partem para outros países em busca de melhores colocações, pois não são os “escolhidos”, uma vez que se trata de “preferências pessoais”, muitas vezes, o que não deixa de ser assédio moral (exclusão), pois são jovens pesquisadores que nunca terão chances reais de progresso na carreira.

É premente a proteção contra o assédio moral (e também sexual) que é muito comum e pouco denunciado. As próprias universidades precisam criar uma comissão responsável apenas para tratar de denúncias, das vítimas e da punição dos orientadores. Essa comissão também deverá verificar se não há abusos também entre os professores, relações de chefia, por exemplo, o que também ocorrem.

Há muitos casos e a maioria não é denunciado, há perdas de bons profissionais, pessoas são humilhadas e outras humilham sem punição. Está na hora das universidades e dos pesquisadores brasileiros propiciarem um ambiente saudável e digno para o crescimento da ciência no Brasil.

 

Referências

 

COLETA, José Augusto Dela; MIRANDA, Henrique Carivaldo Neto de. O rebaixamento cognitivo, a agressão verbal e outros constrangimentos e humilhações: o assédio moral na educação superior. 2011.

 

NASCIMENTO, Fernanda. 70% das universidades federais no Brasil não têm qualquer medida de combate ao assédio. Portal Sul 21. 15 abr. 2023. Disponível em https://sul21.com.br/noticias/educacao/2023/04/70-das-universidades-federais-no-brasil-nao-tem-qualquer-medida-de-combate-ao-assedio/ Acesso em 07 dez. 2023.

 

NUNES, Thiago Soares. Vivências de assédio moral na pós-graduação: relatos de docentes e discentes. Revista Gestão e Secretariado (GeSec), São Paulo, SP, v. 11, n. 3, set/dez, 2020, p. 212-237.

 

NUNES, Tiago Soares; TORGA, Eliana. Márcia Martins Fittipaldi. Assédio moral na pós-graduação: As consequências vivenciadas por docentes e discentes de uma Universidade Estadual brasileira. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 28(11). https://doi.org/10.14507/epaa.28.4883 2020.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Nomenclaturas fantasmas

 Olá! Como estás?

Vamos falar um pouco sobre espantalhos.

Como tenho leitores do Brasil, Argentina, Galiza, Portugal, Espanha e Estados Unidos (até onde eu sei), tentarei adequar a discussão para que não fique só o foco no sistema esconômico do Brasil. Se leres o meu texto, coloca nos comentários de que país és. Agradecido. 


Não posso concordar em viver num mundo em que aproximadamente 10% da população do planeta passam fome (2022) e que 2,3 bilhões de pessoas (29,3% da população global), estavam em insegurança alimentar em 2021, de acordo com os dados da ONU News (2022). 

Não posso estar de acordo com um planeta que consome muito mais do que suporta por uma lógica (ou falta dela) consumista e prejudicial à nossa sobrevivência. De acordo com o portal Observador (2020), a população mundial consome mais recursos naturais do que aqueles que o planeta pode renovar. Esse consumo anual gira em torno de 1,75 planeta Terra, quase dois globos. O dobro do que poderíamos consumir. Embora tenhamos "inventado" maneiras de subjugar uns aos outros, de selecionar (de maneira artificial) quem tem conforto e quem não tem. O planeta, amiguinhos, é um só.

A partir desses dados iniciais (poderia buscar muitos outros como violência, desemprego, falta de moradia, falta de saneamento básico etc.), podemos observar os discursos correntes e toda uma burocracia para resolver o problema. Em verdade, se quisessem resolver a desigualdade, a fome, o desemprego, já o teriam feito. É que resolver esses problemas implicaria reformular a lógica vigente do acúmulo desenfreado de capital, a exploração da mão-de-obra, a segregação estrutural e todo um conjunto de privilégios de que muito poucos gozam. Tirar o poder de quem o detém, ou diminuí-lo na redução da exclusividade. 


Há debates acalorados que um sistema é melhor que o outro. Que o capitalismo liberal prega a verdadeira liberdade. Que o comunismo é equiparado ao nazismo. Que se um país capitalista adotar medidas para diminuir as desigualdades, os bens das pessoas seriam confiscados. Tudo isso não passa de espantalhos. Pessoas desinformadas que passam informações errôneas para outras pessoas desinformadas. Mensagens cujo conteúdo versa sobre a destruição de um país, onde os "comunistas" vão tomar o poder e viver "na vida boa" enquanto o povo passa fome. Isso já ocorre no Brasil. E o sistema vigente é o capitalismo. A classe dominante não é comunista, pelo contrário, está na ponta que sustenta a ditadura da burguesia. Para eles viverem no conforto, vivendo de heranças e gastando milhares de reais / dólares / euros por dia, você, caro trabalhador, precisamos trabalhar.  

Por que digo que isso é um espantalho? Vamos aos fatos, não especulações baratas. Aliás, não quero, com esta crônica argumentativa, falar mal do capitalismo e bem do comunismo. Se fizer isso, cairei no mesmo erro dos que defendem de maneira vazia os conceitos de "liberdade", "democracia" e "meritocracia". Claro que a realidade de uma União Europeia é diferente da América Latina. Entretanto, os mecanismos são semelhantes e o estrago de que vou apresentar pode ser um prelúdio que poderá chegar ao velho continente. Minha linha de escrita e análise é materialista, portanto, analiso o que está sendo feito e não o que poderia ser. E fugirei dos nomes fantasmas que nada dizem. A solução mais eficaz é pensarmos nas ações tomadas e não nos nomes dados. Por exemplo, no Brasil, é muito comum uma pessoa concordar com várias ações do Estado até darem o nome de socialista, fazendo-a dizer que é contra. O "gatilho" são os nomes "esquerda", "igualdade", "comunismo", socialismo", distribuição de renda" etc. A propaganda liberal é tão forte que só os nomes já geram repulsa sem que a pessoa saiba muitas vezes do que se trata. Então, não vou usar nomes, mas ideias.  

A situação atual é de 10% da população passando fome. A taxa de desemprego varia de país a país. De acordo com o portal Trading Economics, no ano de 2023, os índices são: Brasil (8,3%); Argentina (6,9%); Estados Unidos (3,6%); Espanha (13,25%; Itália (7,6%); França (7,1%); China (5,2%); Portugal (15,9%). O que esses índices nos dizem? Estamos vivendo na era da super produção, e como há tanta gente disposta a trabalhar e sem lugares para ocuparem? Simplesmente porque a economia não é planificada. Não é construída para a necessidade do ser humano, mas apenas para uma parcela deles: os mais ricos. 


Sempre bom lembrar que estamos esgotando nosso planeta. Dessa maneira, a produção deve ser para manter nossa vida sem excessos nem faltas. O que ocorre sempre é o desperdício, principalmente de alimentos. Alimentos produzidos para exportação e não para alimentar seu próprio povo. O Brasil, com o agronegócio, alimenta o mundo. O número de famintos no Brasil no primeiro semestre de 2023 é de 33 milhões. Mais de três países como Portugal. Mais de onze países como a Galiza. É muita gente passando fome. Na Argentina, li outro dia, pessoas atacando supermercados a fim de conseguir alimentos. Antes, estavam procurando comida nos lixões das cidades. Seres humanos como nós, buscando comida no lixo. Quem não se lembra do brasileiro comprando ossos nos açougues a R$ 10,00 o quilo, já que a carne estava com preços inacessíveis? A America Latina sabe muito bem o que é desigualdade e fome. Infelizmente.

A economia sendo planificada, haveria como sanar as dificuldades internas e pensar na exportação num sistema de colaboração com os outros países, sem especulações financeiras. Nesse caso, não há como negar que o Brasil terá vantagem, pois se trata de um continente. E poderá ter no seu setor primário qualquer tipo de alimento, por conta das diversas faixas climáticas. Mas falta ao Brasil industrialização, o que sobra na União Europeia e Estados Unidos. É possível planificar a produção de alimentos em torno de pequenos agricultores por meio de uma reforma agrária honesta. Filiais das indústrias pelo mundo poderiam ser implantadas, ampliando a industrialização e autonomia dos países. A tecnologia continuria a avançar. Basta ver a URSS que mantinha uma disputa com os EUA na Guerra Fria, e em 30 anos saiu do feudo para lançar satélites ao espaço.

Outro ponto importante é a saúde e a educação serem universais e gratuitas. Dessa maneira, todos terão acesso para terem boa saúde e educação para exercerem a profissão que escolherem (mesmo que tenham que esperar surgir vaga por conta da planificação da economia e serviços). As empresas passando a serem estatais, haverá investimento direto na sociedade e emprego garantido para toda a população. 

A grande questão é ainda a concentração de renda. Há um texto de Eduardo Giannetti, muito interessante sobre desigualdade e meritocracia. Não vou adentrar o texto porque ele questiona a sociedade com os moldes de hoje. Precisamos mudar o paradigma. Com o acúmulo de capital, grandes fortunas vão surgindo. E com isso, uma ilha de milionários e bilionários se constitui. E junto com o dinheiro, o ócio e o parasitismo vem o poder. Quem gera riqueza não é o capitalista, mas os trabalhadores. Os donos do capital (muitas vezes herdados) tiveram uma posição privilegiada para alcançar tanta fortuna. E vivem de verdade, com lazer, viagens, mimos e estravagâncias. O restante da população tem de trabalhar muito para conseguir minimamente se alimentar. Já li frases como se houvesse um macaco que acumulasse mais bananas do que pudesse comer enquanto outros macacos da mesma região morressem de fome, esse macaco seria estudado. Quando é um homem que faz isso, sai na capa da Forbes. Esse é o tipo de paradoxo em que vivemos.


Uma solução viável para isso é taxar em 100% as heranças e pôr um teto de quanto um homem pode acumular em vida, talvez uns 10 milhões. Essas medida começaria com os mais ricos, gradualmente passando a toda a população. Quando a lógica for incorporada, não haverá sentido acumular algo sendo que todos teriam acesso facilitado. Não faria sentido buscar explorar os outros, já que não teria para quem deixar. Dessa maneira, a sociedade deverá ter escolas de qualidade, hospitais e acesso à moradia, pois os herdeiros talvez não fossem tão espertos quanto os genitores. Portanto, ainda haveria certa desigualdade, mas muito menos brutal do que ocorre hoje. E claro que sempre haverá diferenças entre as pessoas. Não há como todas serem iguais; contudo, todas terão as mesmas chances de progredirem e terem seus talentos reconhecidos. 

Com o passar das gerações, esse sentimento individualizante será pouco a pouco substituído pela noção de coletivo. Afinal, todos terão que trabalhar, porém menos horas do que as 40 horas semanais (em média). Mais pessoas no mundo, mais especialistas, mais tecnologia, menos acúmulo de riquezas, as pessoas viverão mais. O trabalho poderá ser de 15 a 20 horas semanais. Com tempo para estudar mais, viajar e experienciar a vida com possibilidade reais de fazer escolhas. Condições materiais para isso há. O sistema teria de mudar e o investimento no ser humano seria de fato real. Com a economia planificada, a poluição irá diminuir e teremos mais controle ambiental. A devastação ocorre por uma questão de ganância para enriquecimento ilícito. Não haverá bilionários morrendo em aventuras perigosas no fundo do mar. Não haverá bilionários para isso. E a liberdade? A democracia?

Existe um espantalho em torno do que é uma democracia. O presidente do Brasil, Lula da Silva, falou em uma entrevista que democracia é algo relativo. E foi duramente criticado por algo que estava certo. A noção de democracia e liberdade tem sido relativizado. É evidente. Os Estados Unidos têm em torno de 50 milhões de pessoas passando fome em seu solo. No texto de Mariana Sanches (2023) para a BBC, há discussões sobre o afrouxamento das leis para o trabalho infantil no país estadunidense. Para eles, isso é democracia. Para um mundo que "anda para frente", isso é retrocesso. Alguém lembra da Revolução Industrial inglesa? Pois é...


Existem nações com políticas de neoliberalismo, liberalismo, bem-estar social aliadas ou não a ditaduras. Basta ver a Ucrânia, Arábia Saudita, Hungria e Bielorrúsia. O que é uma ditadura? O conceito também é relativizado. A mídia hegemônica pinta ditadura como um Estado totalitário que priva a liberdade do seu povo. Além de perseguições e uso abusivo da força. Algumas ditaduras lançam mão da força bruta da polícia e das forças armadas para reprimir a população e perseguir opositores. Em outros casos, os aparelhos ideológicos já dão conta dessa opressão, situação em que os poucos resistentes não oferecem risco ao Estado de controle. O que dá ainda mais a falsa sensação de liberdade. Sobre aparelhos ideológicos, sugiro a leitura de Louis Althusser (1985). 

Não é honesto dizer que não se tem controle numa sociedade capitalista como Brasil, Estados Unidos ou Espanha. Quando se tem milhões passando fome, sem acesso a moradia, comida, saúde e educação, onde está a democracia? Onde está a liberdade quando não se pode falar a própria língua? Onde está a autonomia de uma região quando a capital de um Estado começa a sucatear essa região para impedi-la de ser autônoma e requerer independência? Ser livre é ter acesso aos bens essenciais para uma vida plena. Defender a democracia que nos é imposta pelo modelo vigente é aceitar que a liberdade dos mais ricos seja assegurada às custas dos mais pobres trabalhando e tendo cada vez menos acesso. Liberdade é um conceito material, mas os medios de comunicação invertem essa liberdade para algo abstrato. Enxergando ditadura nos outros medios de governo, mas não em si mesmo. Inventam que numa economia planificada não se pode viajar, conhecer o mundo. Quantos trabalhadores que recebem apenas um salário mínimo conseguem conhecer o mundo hoje? A classe dominante defende a liberdade de sua própria classe. E com bombardeamento ideológico lança suas aspirações para a classe trabalhadora como se fossem universais.


Alguns lugares do mundo, como países de bem-estar social, essa diferença entre classes é menor, mas tende a aumentar, pois a lógica de acúmulo de capital avançará também nos países desenvolvidos. E começa com privatizações da saúde, educação, aumento do custo de vida, com desculpas de melhorias e progresso quando na verdade é para enriquecer os mais ricos e empobrecer a classe trabalhadora. Quem ganha com a privatização da saúde? Com certeza, é alguém que vai "investir alto", logo, alguém que detém muito capital. E em troca vai querer lucro. Serviços com a menor qualidade possível para o lucro maior possível. Serviços públicos não visam a lucros e são gratuitos. Um é "sem dinheiro, sem saúde" e o outro é "qualidade alta e gratuidade". É difícil escolher, não é? Sem exceção,  povo de todos os países que citei vem escolhendo a primeira opção. 

Quanto mais se inventam narrativas de "paz celestial", irmandade em nome de um ser divino, mais o planeta se torna uma barbárie: guerras por petróleo, existência criminosa de bilionários, competição em todos os níveis entre as pessoas, falta de empatia, opressão de mulheres, não-brancos, LGBTQI+, deficientes físicos e intelectuais... enfim.... Um ditadura disfarçada de democracia, trabalhadores são os escravos do século XXI. E são colocados uns contra os outros, pois com escassez de trabalho, cria-se a lógica da competição. E assim, não nos unimos contra o sistema, mas individualmente, defendemos o que nos oprime e nos mata lentamente.

As pessoas precisam olhar para elas mesmas. Isso faz diferença. No Brasil, uma classe média (que se acha rica) jamais faria o trabalho de sua faxineira e nem aceitaria receber o que os auxiliares de limpeza recebem, mas acham justo pagar isso a esses profissionais. Como existem classes, quem está um pouco acima quer oprimir quem está um pouco abaixo. Numa crise, só escapam aqueles que não estão nas classes, os ricos (1% da população mundial). Estamos fazendo uma união duvidosa. Sem heranças e apenas com serviços públicos, tenho certeza de que teríamos acesso de maneira universal a tudo de que necessitamos: trabalho, lazer, moradia, educação, salário justo e cuidados. Do contrário, estudar, morar, viajar ainda serão priviégios de poucos. 


Essas mudanças a curto prazo não serão viáveis. E muitos trabalhadores, imersos nos espantalhos criados pela classe dominante, vão resistir e defender o sistema que os oprime. As mudanças devem ser graduais e aproveitemos ainda o poder do voto. Devemos votar em partidos que sejam contra privatizações, que promovam políticas públicas de distribuição de renda, que promovam a industrialização, que estejam preocupados em gerar empregos, que cuidem do meio-ambiente, que defendam a cultura local, que ampliem o ensino público de qualidade, que invistam na saúde gratuita e universal, que não sejam machistas, xenófobos nem classistas. Países em desenvolvimento como Brasil e Argentina devem respirar um ar de esperança em apoiar governos que olhem para toda a população. E países da zona do Euro devem tomar cuidado para que uma relativa estabilização não seja destruída pouco a pouco com medidas de piora nas condições de vida dos europeus. E aos EUA só me resta dizer que é o último lugar do mundo para onde eu iria. 


Obrigado pela visita e pelos comentários.   


"AINDA NÃO ME CONFORMEI COM A FALTA DE LOUCURA DESSA NORMALIDADE DESUMANA."


REFERÊNCIAS


ALTHUSER, Louis. Aparelhos ideológicos do Estado. Tradução de Walter José Evangelista e maria Laura Viveiros de Castro. 2ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1985. 

FOME cresce no mundo e atinge 9,8% da população global. ONU News. 06 jul. 2022. Disponivel em https://news.un.org/pt/story/2022/07/1794722 Acesso em 16 jul. 2023.

GIANNETTI, Eduardo. Igualdade de quê? Folha de São Paulo. 13 fev. 2014. Disponível em https://m.folha.uol.com.br/opiniao/2014/02/1411372-eduardo-giannetti-igualdade-de-que.shtml Acesso em 16 jul. 2023.

OS recursos naturais do planeta estão a esgotar-se. Pode a eletricidade “verde” mudar alguma coisa? Observador. 12 out. 2020. Disponível em https://observador.pt/2020/10/12/os-recursos-naturais-do-planeta-estao-a-esgotar-se-pode-a-eletricidade-verde-mudar-alguma-coisa/ Acesso em 16 jul. 2023.

SANCHES, Mariana. Como país mais rico do mundo está afrouxando leis contra trabalho infantil. BBC. 26 jun. 2023. Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce5n267xme3o Acesso em 16 jul. 2023. 

TAXA de desemprego.  Lista de países. Trading Economics. 2023 Disponível em https://pt.tradingeconomics.com/country-list/unemployment-rate Acesso em 16 jul. 2023. 

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Lula vai receber o Prêmio Nobel da Paz?

 Olá! Como estás?

Hoje uma reflexão acerca do presidente brasileiro Lula e o Prêmio Nobel da Paz. Que prêmios, ele já ganhou? 


Prêmios que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um breve resumo.

Desde que foi presidente pela primeira vez em 2003, Lula já ganhou em torno de 300 condecorações. De acordo com a revista norte-americana Newsweek, Lula era, no final de 2008, a 18.ª pessoa mais poderosa do mundo, sendo líder do ranking na América Latina. A revista Forbes considerou Lula a 33ª pessoa mundialmente mais poderosa em 2009. No mesmo ano, foi considerado o "homem do ano" pelos jornais Le Monde e El País.

Ainda em 2009, a revista Time listou Lula como um dos 25 líderes mais influentes do mundo.

Prêmios Grande-Colar, Lula ganhou 2. Os 2 de Portugal (Ordem da Liberdade e Ordem de Camões). 

Prêmios Grã-Cruz (ordens de cavalaria) foram 19, com destaque para Reino Unido, México, Portugal, Colômbia, Argélia, Espanha, Cabo Verde e vários no Brasil.

Medalhas do Mérito foram 8, com destaque à Medalha de Ouro "Aliança Internacional Contra a Fome", do Fundo das Nações Unidas contra a Fome.

Prêmios diversos foram 28 com destaque aos: Prêmio pela paz Félix Houphouët-Boigny da UNESCO, 2008; Estadista Global entregue pelo Fórum Econômico Mundial em sua edição 2010, ocorrida em Davos – Suíça; L 'homme de l 'année (Homem do Ano), entregue pelo jornal Le Monde (França), edição 2009; "Brasileiro da Década" pela revista IstoÉ (2010); Prêmio de Direitos Humanos George Meany-Lane Kirkland - Federação Americana do Trabalho e do Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO), união das centrais sindicais dos Estados Unidos e Canadá (2019).

Como Cidadão Honorário, foram 4 prêmios, com destaque aos: Cidadão honorário de Paris - Aprovado pela Câmara Municipal de Paris em 2019; Título de Cidadão Honorário da Cidade de São Paulo.

Como Doutor Honoris Causa, foram 16, com destaque aos: Universidade de Coimbra (Portugal); Universidade Federal de Pernambuco; Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab); Sciences-Po (Institut d'Etudes Politiques de Paris); Universidade de Salamanca (Espanha);

Universidade de Aquino Bolívia - UDABOL (Bolívia).


Diante desses pontos, é perceptível a importância, a relevância e a contribuição para o mundo que Lula já deu e pode continuar oferecendo. O prêmio Nobel não seria um exagero, mas sim um reconhecimento por tudo aquilo que Lula fez e está fazendo pelo Brasil e pelo mundo.

Em 2019, Lula teve seu nome cotado como indicado para o Prêmio Nobel da Paz. De acordo com Marcos Hermanson (2019): 

"Nas especulações e casas de aposta, Lula concorre com nomes como Greta Thunberg, a adolescente e ativista sueca que chamou atenção para a luta pelo clima [...]; o cacique brasileiro Raoni Metuktire, uma das principais lideranças indígenas em nível mundial [...]; e a primeira ministra neozeolandesa Jacinda Ardern, que ganhou notoriedade pela reação ao ataque terrorista de um supremacista branco contra duas mesquitas da cidade de Christchurch, em março de 2015."

Lembrando que nesse periodo, Lula estava preso (desde o dia 07 de abril de 2018) e mesmo da cadeia liderava as pesquisas para as disputas presidenciais brasileiras no fim de 2018. 

De qualquer maneira, o ganhador do Nobel da Paz naquele ano foi o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, por ter atuado para alcançar a paz no conflito entre Etiópia e a Eritreia, país vizinho com o qual houve uma guerra de fronteira entre 1998 e 2000. Quando Abiy Ahmed Ali tornou-se primeiro-ministro, elaborou um acordo de paz entre os dois países, influenciando positivamente outros países do continente. 

O Brasil viveu seu pior momento no governo de 2019 a 2022, com uma infinidade de mortos por negligência governamental e escolhas políticas para benefício dos mais ricos. 

Em 2023, Lula assumiu um país com mais de 33 milhões de pessoas passando fome, sendo que o PT (seu partido) entregou 7 milhões de pessoas ainda em condições miseráveis, em 2016, reduzindo o número que era de 15 milhões em 2002. O Brasil era a 6ª economia do mundo (hoje, 13ª). O Brasil viveu a época do Pleno Emprego em seus governos, chegando à histórica taxa de  4% de desemprego. Entre outras façanhas, como a expansão do Ensino Superior, Lula é comprovadamente o presidente com melhores índices sociais desde a redemocratização.  

A vitória nas eleições foi comemorada por muita gente no Brasil e no exterior. Jamil Chade (2022) comenta: "A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva foi comemorada pelo ganhador do prêmio Nobel da Paz e presidente do Timor Leste, José Ramos Horta."

Esse apoio é muito importante para sua projeção internacional a fim de ajudar o Brasil e se recuperar e também influenciar outros países em desenvolvimento.


A 23 de junho de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em Paris, de uma cúpula organizada pelo governo francês para discutir um novo pacto financeiro global.

O portal Poder 360 divulgou o discurso na íntegra para a leitura. O canal Cortes 247 cuja edição é feita pelo jornalista Leonardo Attuch disponibilizou o vídeo das falas do Presidente. 

O discurso de Lula tocou em pontos caros, sensíveis e necessários não apenas ao Brasil, mas também à sua contribuição para o mundo (que não é pequena). Falou da Amazônia real (isto é, a floresta que cobre todo o norte do continente sul-americano) e do desenvolvimento da região para que as populações que ali vivem possam ter melhores condições de vida. 

Citou a energia elétrica do Brasil, que é 87% renovável - contra 27%  do resto do mundo. E que o plano de chegar ao desmatamento zero em 2030 está em curso com chance de ser efetivado. Acrescento aqui que o último resultado do monitoramento do desmatamento na região amazônica, no segundo trimestre do ano, acusou uma redução de 60% graças a políticas ambientais sérias.

Voltando ao discurso de Lula, defendeu o combate à desigualdade social e lembrou sobre o aumento da concentração de renda nas mãos de cada vez menos pessoas enquanto mais pessoas sofrem com a miséria e fome, em vários países do mundo. Lula também falou sobre os avanços nos seus governos e da ex-presidenta Dilma Roussef, hoje presidenta do banco dos Brics. Seu desafio como presidente do Brasil é enfrentar o retrocesso nas políticas públicas brasileiras. 

Acrescentou que Instituições como o Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e a Organização das Nações Unidas precisam rever suas atuações e maneiras de ver o mundo atual, pois se espera muito dessas instituições e elas estão deixando a desejar. Citou a criação do Estado de Israel, que acabou gerando a invasão da Palestina. 

Lula afirmou que se não mudarem as instituições, o mundo continuará o mesmo. As mesmas desigualdades. E os que mais precisam são os que mais sofrem com o abandono. Todas as vidas importam. Mas o mundo não trata todos da mesma forma. O presidente ainda questionou que ouve há mais de 20 anos centenas de milhões de pessoas que passam fome e nunca é resolvido esse problema. Como se vai resolver, se não falam sobre desigualdade nesses encontros? Deixou esse questionamento no ar, exigindo essa pauta. 

Ainda com Lula, a solução seria investimentos pesados dos mais ricos nos países mais pobres, pois há potencial energético e condições para amplo desenvolvimento. Apontou para a criação do Banco do Sul, pois está otimista com o Banco dos Brics e com a possibilidade de negociações em que não sejam feitas em dólar, ajudando países, que não podem ter dólares, a fazerem negócios com Brasil, Índia, China, por exemplo. Criticou o protecionismo dos países mais ricos, porque, com isso, houve o aumento do empobrecimento dos países periféricos. Lembrou que além das questões climáticas, espera por acordos comerciais mais justos, a fim de que todos possam se desenvolver. 

Não é justo, na visão de Lula, que os países em desenvolvimento exportem a matéria-prima, mas fiquem sem o produto final; aliás, também acho justo essa posição do presidente brasileiro. Nessa toada, citou novamente a presidenta Dilma e diz que ela tem a caneta para fazer os empréstimos por meio do Banco do Brics, e assim farão a diferença, com o Brasil puxando essa nova forma de negociar e criando relativa independência dos grandes centros. Prometeu discutir a independência do bloco sul em relação ao uso do dólar, na reuniao do Brics, que se realizará em setembro de 2023. 

Exigiu também que mais países africanos participem das reuniões com os países mais ricos (G7 e G20), pois são os desiguais que farão frente à diversidade e para que a pluralidade dos problemas possa ser atendida. Lula elogiou a União Europeia e diz que seu crescimento ocorreu pelo diálogo na divergência, é assim que ele quer fazer na América Latina. Encerrou seu discurso dizendo que vai brigar muito nos três anos e meio que lhe resta de mandato.


Suas palavras tocaram cada ponto, cada fresta, cada canto escondido da política central (dominante). Recomendo o vídeo (ou a leitura) do discurso integral, pois nele fica visível o que se espera de um presidente. Embora não tenha tocado no assunto da guerra entre Ucrânia e Rússia, há interesse por parte do país ucraniano fazer o tratado de paz por meio da diplomacia brasileira. Até nisso, Lula está sendo referência mundial.

O Brasil, em 6 meses de governo petista, já é outro. Tanto na visão nacional quanto internacional. Há muito ainda para se fazer, até porque o estrago foi grande nos últimos 6 anos (governos de direita e extrema-direita). Mesmo assim, o presidente Lula vem fazendo a diferença e construindo uma reforma social apesar dos entraves conservadores. 

Não seria surpresa, ele ganhar o prêmio Nobel da Paz. O Brasil ressurgindo no cenário mundial, é um possivel mediador entre o conflito europeu, sua preocupação com a desigualdade social no planeta, o protagonismo na cúpula do Banco do Brics e ideias que vão contra a ordem mundial atual. Essa ousadia será benéfica a todo o globo, mas nem sempre todo mundo consegue perceber. Quem está na sombra não tem queimaduras...

Que Lula receba esse prêmio por tudo que fez e por tudo que vem fazendo. Um homem que venceu as amarras sociais de um país extremamente desigual e regido por uma classe dominante desprovida de inteligência e com atitudes anacrônicas, um país que enriquece poucos às custas da maioria que vem sofrendo e morrendo, por ser mais vulneráveis (A CPI da COVID está aí para provar). Lula, eu voto em você para o prêmio Nobel da Paz 2023!


Referências


CHADE, Jamil. Nobel da Paz comemora vitória de Lula: "democracia foi restaurada". Uol. 30 de out. de 2022. Dispoñible en https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2022/10/30/nobel-da-paz-comemora-vitoria-de-lula-democracia-foi-restaurada.htm Acceso en 25 de xuñ de 2023. 

CORTES 247. 1 vídeo (19 min). "Um discurso como jamais vi um estadista fazer nos últimos tempos", diz José Reinaldo. Publicado pelo canal Cortes 247, 2023. Dispoñible en < https://www.youtube.com/watch?v=2VauJZCXZeE >. Acceso en 25 de xuñ. de 2023.

 HERMANSON, Marcos Hermanson. Nobel da Paz, com Lula entre os indicados, é anunciado nesta sexta (11). Brasil de Fato. 10 de out. de 2019. Dispoñible en https://www.brasildefato.com.br/2019/10/10/nobel-da-paz-com-lula-entre-os-indicados-e-anunciado-nesta-sexta-11 Acceso en 25 de xuñ. de 2023.

PODER 360. Leia a íntegra do discurso de Lula na cúpula em Paris. Poder 360. 23 de xuñ de 2023. Dispoñible en https://www.poder360.com.br/governo/leia-a-integra-do-discurso-de-lula-na-cupula-em-paris/. Acceso en 25 de xuñ de 2023. 


Obrigado pela visita e pelos comentários.

"OS CEGOS SÃO AQUELES QUE SE RECUSAM A VER A LOUCURA DA BELEZA DE UM MUNDO DESIGUAL. CORTE SUAS PÁLPEBRAS COM O BISTURI MAIS AFIADO E VEJA A LUZ DA VIDA MAIS JUSTA."

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Uma resposta pertinente

 Olá! Como estão?

O texto desta postagem é uma "adaptação" de uma resposta de um comentário que eu fiz no meu vídeo 

Direita sendo direita ‐ Mídia e Comunicação no Brasil - Reflexões V. Achei interessante postar como um texto do blog por abordar alguns assuntos relativos à política brasileira. 

O comentário foi bastante educada e elogiava o meu vídeo por discutir a questão da direita brasileira em relação às mídias sociais, algo com que a esquerda brasileira ainda apresenta dificuldades para ter êxito.

Bem, vamos às minhas considerações. Devo lembrar que a resposta foi dada a um rapaz galego, que conhece a realidade brasileira, por jornais e pela internet. Importante essa informação, pois faço muitas paráfrases. 


O Brasil sempre foi um país muito conservador e religioso (cristianismo). Religião não é um problema até que se misture com política. Existem no Brasil várias bancadas (grupos parlamentares) de ideologias diferentes, no congresso nacional. Existe a bancada da bala (que defende o armamento aos civis, como nos EUA); existe a bancada ruralista (que defende o agronegócio - lembrando que no Brasil é dominado por poucas familias ricas visando à exportação enquanto os brasileiros passam fome); existe a bancada que defende os militares (apoiadores da ditadura), como também a bancada evangélica, composta por fanáticos cristão reigiosos - em sua maioria evangélicos, mas há católicos também. Bolsonaro é católico, por exemplo.

Dallagnol, (bem como Sergio Moro, Damares Alves), sempre levantou a bandeira da religião e do conservadorismo. São contra o aborto (que no Brasil ainda é crime), contra o feminismo, são contra a homossexualidade (pois a veem como doença ou desvio de caráter), enfim... 

Sim, há muitos eleitores que defendem essas posições. E nao são poucas pessoas. Muitos elitores do Lula também compartilham essas visões. Houve uma pesquisa há dois anos que fez esse levantamento - o brasileiro é conservador e preconceituoso (há muitos casos de racismo e homofobia, que não raro acabam em morte). 

O Lula venceu por pouco as eleições. Mas me atrevo a dizer que há mais brasileiros preconceituosos do que os eleitores de Bolsonaro, infelizmente. 

A desigualdade social é vista no Brasil como culpa do indivíduo pobre e não do sistema que o oprime. Claro que existem as pessoas que têm clareza do absurdo desse pensamento, mas são a minoria. Não estou dizendo que ser de esquerda é a solução para tudo ou que é o caminho único, mas num país como o Brasil, em que  desigualdade gera violência, morte, insegurança e falta de cultura; os únicos partidos que visam a combater esse problema são os partidos de esquerda. 6 anos da direita no poder do Brasil e fomos de 7,5 milhoes de pessoas passando fome para 33 milhoes. 

Talvez, aqui na Europa, e mais especificamente, na Galiza, o diálogo seja diferente. Embora, pelo pouco tempo que tenho de Galiza, já não tenho gostado das pautas do PP, e o VOX deveria ser ilegal. Não falo por serem de direita, mas por manterem pautas que vão contra a população, como privatizações na área da saúde e apagamento do galego. Venho de um país (Brasil) que segue a cartilha liberal, e sei onde essas medidas de privatizar tudo vão chegar - ao fundo do poço.


Quanto aos discursos midiáticos, a direiita cria um terror onde não existe e ataca tudo aquilo que é diferente do pensamento deles. A esquerda, geralmente, vai pelo esclarecimento, tende a ser um pouco mais intelectual, o que não atinge as massas. O meu discurso, por exemplo, não funcionaria para as massas, pois não apelo às emoções. A direita faz um pobre que não tem casa nem carro ter medo do comunismo porque vão invadir casas e se apropriar dos carros e dar para quem não tem. O pobre pensa que se houver comunismo / socialismo, ele não poderá comprar uma casa e um carro, e isso é uma loucura. Ele não pensa que com um governo de esquerda, ele poderia ter esses bens. Claro que comunismo e socialismo são espantalhos criados pela direita. Mas é o que Marx fala sobre ideologia, inversão da realidade. 

Creio que aqui na Galiza seja a mesma coisa no sentido das pessoas com menos estudos acreditarem em espantalhos. Pessoas são pessoas em qualquer lugar do mundo. E as ideologias no controlam; mesmo a ideologia de esquerda é uma ideologia. A gente tenta se munir para se filiar a ideologias que achamos mais interessantes para nós. Falam que comunismo é ditadura, mas será que não é todo governo uma ditadura? O pobre pensa que não vai comprar uma casa no socialismo, mas ele também não vai poder comprar no capitalismo, pois não tem acesso. Não estou defendendo comunismo ou socialismo, só ilustrando como a idelogia inverte a realidade e cria uma visão de mundo. 

Aqui na Galiza, tanto as pautas de esquerda quanto a defesa do galego e a proximidade com o português está muito restrito ao meio intelectual e aos que já simpatizam com isso. 

Bem, é isso... Estou à disposição. Vivo aqui e espero poder contribuir com a Galiza. Saúdo!


Obrigado pela visita e pelos comentários.


"QUE POSSAMOS DESCOBRIR AS DELÍCIAS DE UMA VIDA REGADA À LOUCURA DO CONHECIMENTO E DA REFLEXÃO CRÍTICA". 


sexta-feira, 19 de maio de 2023

Poder é poder! Isso não é bom!

    Olá!

    Um breve texto. 


Quase sempre me pergunto por que continuo em busca de aprender alguma coisa nova todo dia...

Será muita utopia acreditar por um segundo que a República de Platão faria algum sentido?
Talvez, o príncipe de Maquiavel arruinaria com tudo?
Adam Smith teria existido e regulamentado a propriedade privada, deixando os menos privilegiados à margem?
Com as devidas adaptações e evolução intelectual, teríamos eliminado os preconceitos e as divisões raciais, linguísticas, econômicas?
Quanto mais estudo, mas vejo que poder é poder.

Poder que é hereditario. Que é simbólico. Que é ignorante. Que é superficial. Mas matam, segregam, sangram. Não matam sempre com balas covardes (embora seja muito comum). Matam com a caneta do Estado. Retirando verba das escolas, das políticas públicas, das moradias, dos alimentos; enquanto perdoam dívidas bilionárias de empresas e pessoas do alto da pirâmide econômica.

Poder é poder!
E isso destrói muito das nossas esperanças...

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"TODO DIA É A MESMA COISA: RACIONALIDADE PSEUDO-CIENTÍFICA, CERTEZAS DOS TOLOS E RECEIO DOS INTELECTUAIS. PRECISAMOS DE UMA REVOLUÇÃO DA LOUCURA!"