quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Paixão Platônica

            Por um breve momento entre trocas, sinto-me em absoluto tédio, até que de longe, ouço o caminhar de certa pessoa. Essa vai se aproximando cada vez mais.

 Distante do quadro e sem enxergá-lo, pergunto-me quem virá em seguida, após certo tempo, a porta se abre, a visão se clareia e uma voz estonteante anuncia:

- Bom dia a todos, vamos começar a aula!

 Esta, diferentemente das outras, é iniciada de maneira inusitada, livros e cadernos guardados, alguns nomes na lousa. Ele começa a discursar. Aos poucos, começo a perceber que não se trata de uma aula como as que tive anteriormente, o conteúdo é completamente diferente de quaisquer outras matérias já previstas. Não se ligava a nada do que vira. Talvez, por todo esse mistério em desbravar novas terras ou pelo discurso verdadeiramente apaixonado pelo que diz, uma sensação inusitada surge.

Essa incomum sensação, que já havia sido experimentada uma vez, volta em minha alma com o propósito de indagar tudo que me é dito naqueles breves minutos.

 Eu jamais poderia deixar essa sensação morrer, pela segunda vez me sentia em tamanha alegria a ponto de caçar perguntas, mesmo que não houvesse, apenas para alongar o meu tempo. O esforço era irrelevante. Aos poucos, o professor vai encerrando sua fala. Ele se retira.

 Mas o que faria agora? Com aquela sensação presa em meu tempo que não cessava, o que faria? Logo, a resposta se tornou clara, apenas retome esse momento consigo mesmo! Portanto, não me desanimei, comecei a pensar no que foi dito. Tentar associar tudo e transferir aquele saber para o meu próprio ser.

 Quantas conclusões! Quantas dúvidas! Quantas questões sendo levantadas!

 Guardei tudo que pensara para retomar as mesmas pautas em uma próxima oportunidade.

 Novamente em tédio, mas dessa vez tenho plena consciência de quem virá a seguir. O som de seus passos vai se aproximando. A porta se abre, uma sensação retorna e uma voz estonteante anuncia:

- Bom dia a todos, vamos começar a aula!

 Mas dessa vez, algo não parece certo. Ele começa a escrever na lousa, mas não havia nada relacionado à aula passada. Algo novo?

 Os meus olhos passavam pelas palavras e eu me frustrava cada vez mais, fez parecer que nada do que havia preparado teria utilidade nesses longos minutos. A matéria tinha de ser dada, o ano deveria continuar.

 Mas a filosofia, essa poderia ser deixada para depois.

 Assim como um certo alguém um dia definira, esta era uma paixão que em poucas oportunidades poderia ser admirada, mas nunca consumada. Pois essa breve introdução nunca se transformaria em matéria, assim como tem sido por longos anos sem pensar.

 

Vinicius Buran de Moraes

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"TODOS TEMOS O DIREITO DE PENSAR E DE PODER, DE FATO, TER ESCOLHAS. SEM FILOSOFIA, APENAS REPETIMOS O QUE NOS MANDAM. QUERO A LOUCURA DO CONHECIMENTO"

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