Título: A Criação de Deus
Data da publicação original : 17/09/2013
A Criação de Deus - A criação do Criador
Era pós era, a humanidade busca o equilíbrio entre a razão (representada pela ciência e pela filosofia) e a mitologia (ou religião). Um equilíbrio que contemple os membros das sociedades e suas expectativas diante das necessidades diárias. Considerar que é a busca do equilíbrio social, a ciência e a religião formam a força chamada "Política".
Basta olhar para a história e constatar-se-á que a religião sempre teve seu papel de influência nas decisões sociais (em algumas épocas mais, em outras - menos; embora deveras estivesse presente).
Na Era Antiga, nada era feito sem o consentimento dos profetas. Eram eles que possuíam os dons de comunicação com os mortos e com os seres divinos (pois eram politeístas); dessa maneira, os reis e os nobres antes de qualquer decisão consultavam os Oráculos. Para quem gosta de boa literatura grega - um oráculo famoso é "Tirésias" dos livros de Sófocles: "Édipo Rei" e "Antígona".
A mitologia da criação do mundo e dos fenômenos naturais eram aceitos em grande parte das sociedades antigas. Os egípcios, babilônios, assírios, Grécia e Roma. Em todo discurso filosófico e político, lá estava o discurso mitológico.
Apesar de Platão e Sócrates terem avançado nas discussões mitológicas, já que consideravam a dicotomia: Mundo das Ideias X Mundo Tangível, considerando o homem como um espírito encarnado que precisaria ter muitas experiências para se aperfeiçoar com êxito rumo à perfeição relativa, discutido n´"A República."
Na Idade Média (Ocidente), a Igreja Católica, instituição de forte influência política, controlou os conhecimentos
espirituais e filosóficos durante 10 séculos. Sua maneira de controle pesava sobre o lado espiritual e político. A Igreja detinha em torno de 40% das terras europeias no período.
Durante o feudalismo, as terras representavam a riqueza. Além das terras, a cobrança de impostos pesavam sobre os nobres e, claro, sobre os servos. Todo o conhecimento - laico e religioso - ficava em posse da Instituição, em mosteiros que eram verdadeiras bibliotecas.
Nos mosteiros, textos "sagrados" ou não eram traduzidos, modificados, adaptados ou queimados de acordo com o desejo de seus membros. A própria Bíblia que era apresentada ao Clero na língua romana, fora originariamente escrita em várias línguas antigas. Quem conhece um pouco de tradução, sabe que não há tradução perfeita, já que a língua é um traço cultural; ao traduzir-se, perde-se sentido - pouco ou muito.
Há relatos de modificações no "1º livro impresso" por "desejos" de alguns nobres ou clérigos. Uma rainha "pediu" certa vez à Instituição que retirasse da bíblia trechos que remetessem à reencarnação, pois era inadmissível a uma nobre, renascer como uma serva. Mais quantas alterações foram efetuadas? De qualquer maneira, é um livro escrito por um homem para homens.
Na Idade Moderna e Contemporânea, a Igreja vem perdendo espaço nas discussões políticas. Seus discursos não são ignorados, mas não são de suma relevância para uma decisão. Isso graças ao avanço da filosofia e de corajosos pesquisadores que desde o século XV vão desafiando as leis impostas pela religião cega.
Até o momento, discutiu-se a instituição. Uma figura política que se utiliza do boa vontade de uns para promover seu próprio enriquecimento ou causando atrocidades. Cruzadas, Inquisição, Index, dízimo, indulgência, preconceito,
repressão etc.
Afinal, o que é a religião? O que é o Criador? O Criador foi criado?
Algumas correntes ateístas discutem a invenção das crenças para manipular a população por meio do receio, da dúvida, do medo e da perseguição. É o que Althuesser diz sobre os Aparelhos Ideológicos do Estado - tendo a Igreja como uma representante desses aparelhos. Segundo o autor, a ideologia da instituição dita comportamentos e formas de se comportar perante á sociedade. Quem não se adequa sofre pressão social a fim de se ajustar em relação aos demais - mesmo que subconscientemente.
Há os Ateus Cristãos que rejeitam o Deus das religiões ocidentais (Católica e Protestantes - Evangélicas), mas seguem os ensinamentos de Jesus. Seguem a lógica de não acreditarem em mitologias sobre o Criador, mas seguirem o exemplo de uma personagem histórica que buscou fazer o bem ao próximo. Apesar do paradoxo de não elegerem um ser divino, aceitam Jesus como um modelo de salvação - ou modelo ético de comportamento.
Afinal, criamos o Criador? Não convém a esse texto discutir a existência ou não de um Deus, afinal crenças não devem ser discutidas, apenas refletidas.
Um bom estudo sobre o que ouvimos e lemos ajudaria a refletir e discutir a lógica das afirmações daqueles que se julgam Oráculos do século XXI. A fé cega e ilógica nos remete aos tempos mitológicos da humanidade, acreditando em tudo que ouvimos sem o devido questionamento.
Imagem e semelhança? Antropomorfia grega politeísta, nada mais...
Obrigado pela visita e pelos comentários.
"É POSSÍVEL ACREDITAR EM DEUS USANDO A RAZÃO. MAS TEM DE SER MUITA RAZÃO E NADA DE LOUCURA"
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