quarta-feira, 23 de maio de 2018

Greve de professores - 23/05/2018

Olá! Como estão?

Hoje, dia 23 de maio de 2018, 32 escolas pararam oficialmente por conta da tirada de direitos dos docentes. Além dos colégios que suspenderam as aulas (entre eles, colégios de elite), professores de 
outras instituições também aderiram em respeito e solidariedade à causa, lembrando que, em São Paulo, há em torno de 2.500 escolas particulares.

Foram muitos os meios de comunicação que emitiram notas sobre a paralisação de hoje. Às 14h00 (horário de Brasília), iniciou-se a assembleia com os professores reivindicadores; após essa reunião, haverá ato livre no vão livre do MASP.

O SINPRO pronunciou-se ao ESTADÃO (23/05/2018): "O sindicato patronal, Sieeesp, propôs uma série de mudanças em direitos, como redução do recesso escolar do fim do ano e restrição das bolsas de estudos para filhos de professor."

Essa paralisação é por conta de benefícios que os docentes perderão. Não houve acordo entre o Sieesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estados) e a convenção coletiva que o SINPRO (Sindicato dos Professores) defende.

Alguns dos itens discutidos são:

proibição de contrato intermitente e terceirização;

homologação da rescisão contratual no sindicato;

redução do recesso;

fim da garantia semestral;

redução de duas para uma bolsa de estudos para filhos desde que o professor dê pelo menos dez aulas.

Há muitas questões para serem discutidas sobre educação e o papel do professor. Na reportagem do Estadão (reproduzida no site da IstoÉ Dinheiro), há falas de pais de alunos sobre a paralisação. Alguns a favor, outros contra. Os pais que foram contra argumentaram que pagam uma "fortuna" de escola para não ter aula.

Concordo que as mensalidades escolares não são uma pechincha, ainda mais em se tratando do Colégio Santa Cruz (de onde surgiram algumas das reclamações de pais). Contudo, essa paralisação é uma forma do professor não perder seus direitos e poder fazer seu trabalho bem-feito. Essa reclamação é fruto de um pensamento individualista. Claro que uma greve (seja de qualquer setor) "atrapalha" nossa rotina; mas, insisto, será que um pequeno esforço para o coletivo não é válido? 

Estamos falando de educação. O Brasil apresenta índices muito aquém na área educacional (mesmo em escolas particulares, tidas como "mais fortes"). O INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional) vem atualizando seus dados nada animadores, colocando a maioria da população brasileira como alfabetizados elementares (42% - grosso modo, leituras superficiais com raras inferências e relações exteriores).

Outro dado do INAF é que apenas 22% dos ingressos no Ensino superior são plenamente alfabetizados (alfabetizados proficientes). E se o Brasil, hoje (dados de 2016), apresenta apenas 8% da população plenamente alfabetizada, temos um problema muito sério. Então, nossa educação não está recebendo a importância devida, seja pelo governo, seja pela população, seja pelos próprios profissionais.

O número de universitários que buscam as licenciaturas vem caindo já faz algum tempo. O desprestígio da profissão, baixos salários, trabalho extra e conflitos diários afastam os jovens dessa área que é o pilar de qualquer país "de ponta" ou que queira ser "de ponta".

A população, quando não apoia seus professores, está desvalorizando ainda mais os poucos que ainda batalham por uma educação de qualidade, estudando e proporcionando experiências válidas em suas aulas. A área da docência está cotada para falta de profissionais em 10 ou 15 anos.

O governo, com a reforma trabalhista, indiretamente, leva ao docente algumas das retiradas de (poucos) direitos que ainda restam. 

Outro fator também relevante nessa greve de hoje é a desunião da classe e de quem está na área da educaçao. Se são 2.500 escolas aproximadamente, por que apenas 32 escolas se manifestaram e suspenderam as aulas? Apenas 1,28% dos colégios. Acredito que essa luta é para todos envolvidos na educação, pois é o alicerce de qualquer país. Ou vamos continuar a formar analfabetos? Continuar a importar ciência e tecnologia até quando? 

Talvez, as escolas queiram essa reforma. Pagar menos aos profissionais é uma boa economia. Ignorar a peça mais importante na engrenagem da educação. E não alivio também para aqueles profissionais que hoje foram lecionar por medo de perder seus empregos, mas que amanhã não conseguirão manter seus filho na mesma escola porque esse direito será suprimido, ou que não terão a garantia do semestre, sendo demitidos em abril e terão que esperar até setembro para receber de novo um salário (isso se conseguirem um emprego na janela). Ou quem sabe, pegar contratos intermitentes, perdendo benefícios.

Essa luta é de todos! Um país decente faz-se com boa educação. Boa educação só é possível com bons profissionais, não existe mágica! E para manter bons profissionais, benefícios, salários e condições de trabalho devem ser adequadas. Do contrário, veremos, nos próximos anos, ex-professores em várias outras áreas que ofereçam o mínimo que sua dignidade pede. 

Lista dos colégios que adderiram a greve hoje (lembrando que alguns colégios já se manifestaram afirmando que não irão contra o acordo coletivo e mesmo assim participaram da greve):


Alecrim
Alef Peretz/Renascença
Anglo21
Anima
Arraial das Cores
Beatíssima
Equipe
Escola da Vila
Estilo de Aprender
Giordano Bruno
Gracinha
Grão de Chão
Hugo Sarmento
Invenções
Lumiar
Madre Alix
Ofélia Fonseca
Oswald de Andrade
Pasteur (Vergueiro)
Politeia
Ponto de Partida
Recreio
Santa Clara
Santa Cruz
Santa Maria (médio)
Santi
São Domingos
Teia de Aprendizagens
Teia Multicultural
Vera Cruz
Viva
Viver

Deixo abaixo os links consultados. 


Obrigado pela visita e comentários!

"SE VER O ÓBVIO COM CERTA ESTRANHEZA É SER LOUCO, QUERO ESSA LOUCURA PARA SEMPRE!"

Por uma educação crítica e reflexiva!

Nenhum comentário:

Postar um comentário