Pode parecer um pouco precipitado esse título, até porque ainda é um amor à distância. Mas não nego que é amor.
Foi um amor intenso, quase instantâneo. A cada descoberta que eu fazia, mais queria saber desse conforto localizado a noroeste da península ibérica.
Mas vamos por partes. Vou contar cada etapa desse namoro (que almejo que se torne casamento).
Eu andava procurando um tema para desenvolver na minha tese de doutorado. Comecei pela questão política no Brasil. Até desenvolvi algumas pesquisas nessa direção.
Entretanto, não estava ainda satisfeito. Resolvi procurar outro objeto. Sempre fui encantado com as questões políticas na Europa e a história das línguas neolatinas.
Encontrei a questão da Galiza. Uma comunidade autônoma, na Espanha, com muita história para contar. Lembrei-me das aulas de literatura que estudei (e posteriormente lecionei) em que líamos as cantigas em galego-português. Afinal, que língua é essa?
Quanto mais descobria a força do povo galego para manter sua língua e sua identidade, mais apaixonado pela Galiza eu ficava. Movimentos para legalizar o galego após a ditadura franquista emocionaram-me. Embora não haja acordo entre todos os movimentos pró-galego, vejo que todos querem o mesmo: a Galiza para os galegos.
O galego é uma língua, atualmente, que fica entre o português e o castelhano. Na origem, era português, uma mesma língua. Com o passar do tempo, as mudanças políticas afastaram as duas. O português se concretizou como língua oficial enquanto o galego foi perdendo suas força política.
Sobreviveu graças aos esforços de seus escritores, que fora de sua pátria escreviam na sua língua. E dentro das casas, as famílias sempre o utilizavam. Embora não houvesse padronização, sobreviveu e continua sobrevivendo.
Agora, meu objetivo, no doutorado, é discutir as questões da língua galega, tanto quanto à sua proximidade com o português (português da Galiza) quanto as questões políticas que entravam (dificultam) seu pleno exercício.
Logo espero estar fisicamente na Galiza. Ouvir diretamente de lá a língua que me tocou, cumprimentar o povo que me recebe com tanto carinho e atenção pelas redes sociais, visitar todos os pontos de seu território, sentir-me em consonância com as aspirações desse povo incrível.
Quero contribuir com o que tiver ao meu alcance de investigador acadêmico para discutir, apresentar, defender, teorizar e representar a liberdade e a ascensão da Galiza.
Obrigado pela visita e pelos comentários.
"MUITOS ACHARIAM LOUCURA CRUZAR O OCEANO. MAS NÃO VOU A NADO, IREI DE AVIÃO"
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