segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Não Olhe para Cima" (Don´t look up).

Olá, tudo bem? Como estão?

Hoje, falarei sobre o filme "Não Olhe para Cima" (Don´t look up).

Filme que foi divulgado como um suposto pastiche, uma paródia, uma encenação sarcástica e/ou uma comédia besteirol. O filme é muito mais do que isso! 

Fiquei surpreso com o resultado! Sim, o filme é muito bom! Claro, se houver a contextualização das críticas transvestidas de besteirol estadunidense.

Bem, vamos à sinopse.
Basicamente, a história gira em torno de dois astrônomos que descobrem a rota de um cometa que se chocará com a Terra em torno de 6 meses.

Nada de novo. Nada especial. Entretanto, o arco da divulgação até o desenrolar para "resolver" o problema nos traz as peripécias de uma tragicomédia. 

Digo isso, por conta das personagens caricatas, exageros na narrativa, comportamentos que nos fazem duvidar da verossimilhança. Apenas duvidar, pois quando olhamos o nosso mundo, ficamos na dúvida qual é o teatro mais perverso.

Vou apresentar os pontos que mais me chamaram a atenção.

Os dois astrônomos são Randall Mindy (professor e orientador de doutorado) e sua orientanda Kate Dibiasky. Ela descobriu o cometa cujo nome é em sua homenagem - Cometa Dibiasky.

Ele não é um pesquisador muito famoso (não publica artigos há um tempo) bem como a sua universidade. De qualquer forma, com a ajuda do doutor Oglethorpe, da NASA, conseguem uma reunião com a presidente dos EUA, Orlean.

São recebidos pelo chefe de gabinete, Jason Orlean, que só está lá por ser filho da presidente. Seu modo de ser é caricato e confirma o nepotismo. Alguma semelhança, aqui no Brasil, com a indicação de um certo alguém à embaixada brasileira nos EUA?

Enquanto esperam para falar com a presidente, o General Themes lhes oferece uns lanches e águas dizendo que custaram uma fortuna. Mindy paga ao general uma razoável quantia pelos lanches. No entanto, descobre-se depois que os lanches eram gratuitos. Militar desonesto? Que heresia!

A presidente faz pouco caso do meteoro. Diz que vai consultar outros especialistas, pois não confiam no professor e sua doutoranda devido ao baixo prestígio de sua universidade. Além do fato de que sua preocupação maior é a campanha de reeleição. Para variar, a política em primeiro lugar, depois o bem estar do povo (no caso, o planeta). Outra crítica bem pertinente é a valorização do prestígio da universidade acima do próprio estudo apresentado. Aqui nada é superficial, ainda bem!

Após o "vazamento" da questão do meteoro, há perseguição aos pesquisadores. Assunto de Estado, mas com o qual o Estado não quer se preocupar. Uma censura pela controle.

No programa de televisão, há uma tremenda audiência com o fim de relacionamento de uma cantora famosa. As redes sociais se movimentaram muito mais sobre esse tema do que com a notícia do cometa.

Mindy e Kate como convidados ficam desconfortáveis com o descaso que a notícia do fim do mundo sofreu. A mídia fazendo chacota e buscando alta audiência com o teatro midiático. Fale-se, inclusive, sobre treinamento midiático para o professor Mindy. Kate acaba gritando ao vivo, pois se trata de uma assunto sério. Acaba sofrendo ataques nas redes sociais, sendo chamada de louca por vários internautas.

A polarização emerge. De um lado, pessoas que não acreditam que o meteoro exista; do outro, pessoas que acreditam. Os jornalistas Brie Evantee e Jack Breemer não fazem questão de levar o assunto a sério. Teatro na mídia? Que absurdo!

Outro ponto que critica a superficialidade da sociedade é o momento em que Mindy ganha o apelido de cientista mais bonito. Ninguém ouve o que ele tem a dizer, mas apenas focam em sua aparência. Isso realmente não tem nada a ver com o mundo em que vivemos. Quanta criatividade, não?

Mesmo Mindy, que apresenta uma imagem caricata de um pesquisador nerd e desajeitado, acaba "abraçando" a fama e se envolvendo em um caso adúltero com Brie. Só não terminou seu casamento, pois sua esposa o havia traído no início do relacionamento. Humanos sendo humanos...

A presidente estadunidense viu uma oportunidade política em salvar o planeta. Quando parece que o cometa será explodido e a espécie humana salva, surge o magnata Peter Isherwell, que resolve tirar proveito do meteoro. Sua equipe descobriu que havia metais preciosos na composição do meteoro. A operação é interrompida e o empresário assume a responsabilidade de explorar o cometa e salvar o planeta. O que é interessante nesse ponto é o discurso de que essa garimpagem iria acabar com a fome e as desigualdades sociais, pois os metais valiam trilhões de dólares. Caridade? Sei.

Obviamente, o plano não funciona e a humanidade é extinta. Os mais ricos tentam fugir do planeta em cápsulas de criogenia. 

A extinção humana ocorreu por vários motivos que o filme aponta:  interesses pessoais, os ricos com poder de decisão, negacionistas, ignorância do povo, valores superficiais. Um filme que beira o ridículo por parecer demais com o que vivemos no mundo. Isso não só nos EUA como também aqui no Brasil.

Aristóteles, em sua Poética Clássica, diria que se trata de uma comédia cujo riso do ridículo despertaria a purificação do espírito - ou catarse. E por meio desse riso, veríamos em nós mesmos os defeitos apresentados na trama. O fim terapêutico é a eliminação desses defeitos para não nos sentirmos ridículos.

Mas acredito ainda que ações de pessoas questionando os cientistas que apresentam fatos comprovando algo como, por exemplo, a queda de um meteoro na Terra. Algo muito parecido com o que passamos com os questionamentos em relação à eficácia da vacina. 

Enfim, um filme louco que se espelha na loucura humana, que prefere garimpar um meteoro em busca de dinheiro mesmo que corra o risco de ser extinta. Alguém duvida que isso poderia ser verdade? Eu, não!

Fiquem bem!

"É MELHOR PERDER A VIDA DO QUE A LIBERDADE. ISSO É IGNORÂNCIA, NÃO LOUCURA."

2 comentários:

  1. Perfeito Victor.
    Adorei os comentários e comparações.
    Assisti e concordo com tudo.

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    1. Obrigado pelo comentário, Mari. O filme refere-se muito aos tempos de hoje... infelizmente. Melhor se fosse só piada.

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