segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Trabalho escravo e o trabalhador


Olá! Como estão? Hoje, uma reflexão sobre o trabalho.

Para Marx, as relações humanas estabelecem-se em torno do trabalho. Dessa forma, a sociedade constitui-se e avança a partir daqueles que criam as inovações enquanto outros executam essas novas ideias.

O início do capitalismo teve as guildas como ponto de partida, pois elas começaram a estimular a produção para a venda com lucro. A organização possibilitou a hierarquização do sistema de produção. Sistema esse que os burgueses utilizaram para estruturar suas fábricas.

Nesse viés, há aqueles que detêm os meios de produção e os que só podem vender sua força de trabalho. A relação é justa, pois um precisa do outro. A questão é a maneira como esse sistema se estrutura. 

A Europa até o século XX apresentou níveis desumanos de exploração do trabalho alheio. Jornadas imensas, sem direitos trabalhistas, salários diferentes para mulheres e crianças, pobreza e miséria para o trabalhador europeu. 

Após as guerras, reorganização da economia europeia, "fim da escravidão", criação da ONU, direitos humanos, exportação do modelo capitalista para o mundo todo (ou quase); o capitalismo prometia ser "mais brando" com o trabalhador para torná-lo também um consumidor.

Esse era o sonho.

Brasil, 80% dos brasileiros têm renda per capita inferior a R$ 1,4 mil, de acordo com DATAFOLHA (2017). Embora esse dado seja de 2017, os 13% de desemprego, aumento dos autônomos, crise econômico, recessão técnica; esse número ainda é atual.

A relação que estabeleço é com a escravidão. Os escravos que trabalhavam nas lavouras brasileiras até o "século XIX" tinham que trabalhar, pois não havia escolha. Eles tinham donos e estavam longe de sua casa. Muitos escravos eram promovidos para executarem seu trabalho dentro da casa-grande. Comiam melhor, vivam melhor. Claro que não romantizo a questão, pois os escravos da lavoura tinham expectativa de vida menor.

O ponto que quero abordar é o poder de escolha. Nosso salário mínimo hoje gira em torno de R$ 1.000,00. É um valor ínfimo diante do custo de vida. Há estudos que o salário mínimo deveria ser pelo menos R$ 4.500,00. Considero que o Estado não oferece serviços públicos de qualidade nem acesso à moradia. 

Se 80% da população vive com até R$ 1.500,00; a situação é alarmante. Como uma pessoa que tem renda bem abaixo do mínimo necessário poderia viver? Ou melhor, ter o poder de escolha?

Não há escolha. Estamos vivendo um momento de crise em que a escolha não existe. Precisamos trabalhar, lutar por direitos, "ter um dono". Não há a opção de viajar para esfriar a cabeça, mudar de cidade, empreender (o que está na moda), pois os boletos, o aluguel, a luz e a água não podem esperar. 

A privação de dinheiro imobiliza o poder de decisão. O trabalhador fica refém dos patrões, aceitam emprego mesmo sem direitos. O desemprego no Brasil é um projeto. Reformas que tiram direitos e obrigam o trabalhador a aceitar essas condições. 

Mesmo assim, o desemprego continua alto.

O escravo não tinha escolha porque ele é propriedade de um dono e não possuía renda; o trabalhador não tem escolha porque não possui renda nem um patrão.

Obrigado pela visita e pelos comentários.

"A LOUCURA É A SALVAÇÃO PARA ESSE MUNDO BUROCRÁTICO"

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