sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

LULA TEM O CENÁRIO PERFEITO: INSATISFAÇÃO E DIREITA RACHADA

 Olá! Tudo bem?


De acordo com a pesquisa da Quaest/Genial (09/02/2022), Lula lidera as intenções de voto para presidente, em 2022, com 45%. Atrás, vem Bolsonaro (23%), seguido por Moro e Ciro (7% cada). Considerando as margens de erro e reviravoltas que poderão acontecer até o dia dos eleitores se dirigirem às urnas, o ex-presidente pode ganhar ainda no primeiro turno.

O cenário favorece ao petista, pois Bolsonaro cuja rejeição já supera os 50% vem perdendo força (enquanto a rejeição a Lula gira em torno de 35%). A própria elite do país, que apoiava o presidente em exercício, já elegeu outro candidato para apoiar: Sérgio Moro.

Desde toda a articulação para a retirada da presidente Dilma Rousseff, o Brasil não cresce. A direita reassumiu o poder com Michel Temer, no que se chamou de "Impeachment", pois o próprio ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou que o "motivo real" do afastamento da petista não foi por pedaladas fiscais, mas, sim, por falta de apoio político. Dessa forma, a retomada brusca e, por que não, questionável serviu para que reformas (como a trabalhista) fossem feitas a fim de contemplar o lado mais forte da hierarquia social.

A promessa de mais empregos não foi concretizada nem por Temer, nem por Bolsonaro. Em seu governo, Bolsonaro "financiou" a aprovação da reforma da previdência, em que não se descarta mais os valores 20% mais baixos durante todo o período de contribuição. 2021 fechou com mais de 14 milhões de desempregados. E os índices apontam para 11% durante o ano de 2022.

A política de acordos (toma lá dá cá) fez parte de sua gestão, nomeando indicados de partidos em troca de apoio no Congresso. Não seria estranho se o próprio presidente não tivesse sido eleito justamente por criticar a velha política.

A pior crise sanitária do século surgiu em seu governo, agravando ainda mais a situação econômica e social do país. Demitiu o ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta pelo simples motivo de fazer o seu trabalho. Bolsonaro chamou a pandemia de "gripezinha" e atrasou como pôde o avanço da ciência e da vacinação. Só amenizou quando o STF interferiu e delegou os poderes aos governadores. Gilmar Mendes já dissera que "Bolsonaro não tem poder para fazer política genocida".

O desemprego em alta, os preços subindo, a inflação alcançando os dois dígitos, insatisfação de grande parte da população; um novo caminho precisaria se abrir. Moro surge como candidato da "terceira via". O juiz que foi o protagonista da operação Lava Jato ganhou muitos seguidores pelo feito de prender Lula (inclusive o presidente Bolsonaro, que era seu fã até a saída do juiz do Ministério da Justiça). Entretanto, vem derrapando na missão de ganhar novos eleitores, oscilando entre 7% e 8% das intenções de voto. 

O TCU está investigando Moro por conta das homologações feitas por ele nos acordos entre empreiteiras e a Justiça; e também na atuação do ex-juiz na consultoria Alvarez & Marsal. Como se não bastasse a investigação chamada de "Vaza Jato", Sérgio Moro apresenta pouco conhecimento sobre os assuntos dos quais decide falar, em entrevistas. Um fato recente foi a comparação entre o crescimento da Inglaterra e da Somália, justificando que "instituições" são responsáveis pelo crescimento britânico. Em outra fala genérica, afirmou que resolveria o problema da economia no Brasil por meio de uma "força-tarefa".

Não ter conhecimento de história para entender que um país que sofreu uma colonização brutal e ficou independente apenas em 1960 não teria ainda condições em 2022 para ser comparado à sua ex-metrópole é uma falta grave a um candidato a presidência da república. Não apenas pelo desconhecimento do fato em si, mas a visão de mundo restrita. A que instituições ele se refere? Responder de maneira genérica que os problemas do Brasil seriam resolvidos com força-tarefa é chamar o eleitor de inocente. Preocupante.

Com a popularidade de Bolsonaro caindo e a Lava Jato de Moro sendo questionada por abuso de poder, Lula volta como esperança. Não apenas para a esquerda, pois seu percentual de intenções de voto supera os 25% da base petista (em média). A memória do Brasil nos anos em que governou bateu à porta. Só para refrescar, durante os anos de governo, projetos como FIES; Pronatec; Prouni; Ciência sem Fronteiras; Mais Médicos; Farmácia Popular; Minha Casa, Minha Vida; Bolsa Família; Cisternas no sertão; e Transposição do Rio São Francisco (entre outros) foram implementados, aperfeiçoados e entregues à população. O desemprego caiu para índice histórico. Não éramos um país de primeiro mundo, mas as mudanças estavam surtindo efeito e diminuindo as distâncias sociais. Mesmo em um governo neoliberal em que os ricos ficaram ainda mais ricos, os pobres também tiveram acesso a esse crescimento. Éramos a 6ª economia do mundo em 2011.  

Outro dado importante é questão da fome. Antes do governo do Lula, 15 milhões de pessoas passavam fome no Brasil. Durante os governos do Lula e Dilma (14 anos de governo), 7,5 milhões de pessoas passavam fome (redução de 50%). No governo Temer (2 anos), 10 milhões de pessoas na fome. No governo Bolsonaro (3 anos), são estipulados 20 milhões de pessoas passando fome no Brasil (aumento de 100%).

Bolsonaro já não tem a força de antes, segue com seus fiéis seguidores e agressões para todo lado. Moro, sem carisma, também fez seu fã clube de antipetistas. E Lula, impedido de disputar as eleições em 2018 de modo irregular, volta liderando as pesquisas por conta da memória do que já fez e/ou da nova esperança de um país que pede por mais políticas públicas e o combate à fome.

Escolha difícil... não?


Obrigado pela visita e pelos comentários.


"OS OLHOS DA LOUCURA ESTÃO SE ABRINDO... AINDA BEM."

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